quarta-feira, março 31, 2004


O vermelho de José
Tenho dormido tarde.
Não fosse o medo... acho que é assim que realizo o tempo em mim, construindo o espaço de existir.
E então, afrontada pela fadiga, quando olhos e corpo pesam, e tomada de tristeza, saio das letras lidas e caminho para a cama rumo as letras sonhadas. Não sem antes vagar casa à cata de fantasmas, que não sei onde tranquei. Ando sem fantasmas.
Tenho um ritual que religiosamente desobedeço. Sozinha, sento-me. No chão. Dele, subo para a cama. Desolada, rosto no braço, apoio a mão entre as pernas dobradas. No peso do dia, escapo e me prendo.
Cansada, a mão de escrever cobre os olhos, fundos de secas seqüências.
Arrumo os travesseiros, encosto. Não consigo dormir. Mudo a música. Desligo. Ligo de novo. Sento, recosto, encosto e coisa nenhuma. Até febril sinto. Nada muda. Noite após noite procuras, todas.
Deito na cama onde sempre quis que você estivesse. Lembra-me pedra, teus braços me chamando, recostado na parede.
Mas recordo, toco o volátil que faço a frente e enterneço. Penélope chamo os fios de Ariadne, para ser perdida em labirintos. Faço e desfaço nas vezes da espera, de ver Ulisses.
Triste, deito. Puxo as cobertas. Sem que ninguém veja, tiro de dentro dos panos a camisola vermelha. A que primeiro viu, a que mais molhei.
Amar pode ser bom, mas não é importante.
O gostar feminino é como as águas. Mulheres são o mar, abertas. Homens, águas escondidas, águas de bicos, amarelos, montanhas de gritos. Perdidos.
Gosto quando fico com marcas tuas em mim. São elas que me dizem que esteve, tomou posse, e ficou mais tempo do que deveria ficar
Encosto no rosto a camisola que perfumei.
Adormeço. Só assim não acho os fantasmas que encontrei em você.
Só assim, escondida, retorno as águas de onde, vênus nebulosa, saí sem ter sabido.

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terça-feira, março 30, 2004

Quando um não pode ser, sim.

Namoros de menina, tive. Casamento, separação, re-casamento.
Tudo.
Exerci ser mulher plenamente.
Por isso que agora desejo un altri.
Quero alguém que me queira, no tempo que estiver comigo.
E se tiver outra, nem diga, não quero.
Serei leal aos meus sentimentos.
Sofrerei, por certo, se souber que as tem, mas sei que posso outros, logo, nem quero saber, nem quero entender.
Serei devotada ao que sinto, quando contigo estiver
De longe, continuarei te amando. Aos outros também.
Quando perto, serei completamente sua. Como serás meu.
Não quero ser de meia foda.
Que me tenhas, quero isso. E terei como meu e teu simples você.
Saberei o que fazer... contigo.
Quero os braços do depois, a boca seca de prazer e corpo mole das loucuras. Os lençóis enrolados, roupas jogadas e a afonia sonora dos motéis.
Quero este tempo parado, o sentido aguçado, a boca marcada, a pele esfregada. Coxas em atritos, pernas permeadas, sabonetes no chão, banheiras que vertem todas as águas.
As unhas na carne, o dedo na boca, o seio inchado, o pomo arfando, a pele ferida, joelhos cruzados.
Aproveitarei do completo domínio que têns das mulheres e lhe mostrarei que agora, estou aprendendo o seu novo.
Antes eram as coisas e agora, o sentir e All The Things You Are. Prazeres gozosos.
Não te explicarei. Perceba.
Não quero teu peso. Te dou o meu.
Mas quero teu gozo. Cedo a boca
Não quero teu corpo. Serei alimento.
Mas quero tua fala. Obscena, gostosa, de gritos e gemidos, te quero assim.
Deixo-me, porém, queixosa e a vontade, necessitada de abusos.
Não aceito o que não gosto, mas de você, desejo... o todo.

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sábado, março 27, 2004

Sábado, e não há o que fazer.
A febre debilita todos.
As letras que dançam frente os dedos, consomem os óculos e aposentam, prematuramente, os óculos.
As gavetas, cheias, costuram-se. Os armários, despidos, encapam-me e enroupada, continuo sentada.
E os espaços cansados, te negam, sonegam, me entregam.
Indiferença sem alarde.
A sexy sensualidade das novidades
Temo que a febre me afete a sensibilidade

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Um quarto

Tralhas, roupas, memórias.
Julho começa quando o semestre se renova.
Não tenho o que deitar fora.
Sou fora de guarda, descautelada.
Fecho a porta do sábado, entro nos domingos e peço à vida que fique de fora.




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O botão

Ele disse, você é rainha.
E ela pensou - que coisa mais comum.
Ele disse, você é minha.
E ela pensou - será verdade?
Ele suspirou e gemeu.
Ela gozou.
Nus na cama, sons de lua, perfumes da paixão.
Assim acabo gostando dele cisma ela.
— Sabe o que amo em você? As coxas roliças, os seios que tu me dás, ele lhe disse como resposta a pergunta não feita.
Dengosa, nem pensou em responder. Arrancou o botão da fronha, torto e meio quebrado e lhe disse — Tome.
Ele, todo desejo, olhou, revirou. Franziu o cenho.
— Um botão?
Venha, venha e ela apontou.
Ele entendeu.
Coseu, pregou, murmurou... seu botão?
E ela, charmosa, se abriu.

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sexta-feira, março 26, 2004

Guardar ressentimento é como tomar veneno
e querer que a outra pessoa morra.

Shakespeare

Afetar, sentir, o re-sentir.
Viver. Verbo, ação, um estado. Sentimentos, que no re-torno sempre são re-sentidos.
Retrocesso, regresso, recuo. Revolta
Quando me volto, para dentro, para pensar, é sempre comigo que me penso.
Assim, erradamente, mas bem dentro de mim.
Inferir. Bem melhor que deduzir, que é palavra de detetive. Pré-sinto, tal e qual, encontrando aqui chagas invisíveis que me avisam desse dês-sentir.
Acordar.
Das dores e ressentimentos. Não estar atada. Tanger a dolorosa tecla e fugir da dor.
Iguais se tocam, refletem, enganam. Na verdade refratam, quebram as direções, desviam os sentimentos.
Quem se permite dor imposta, vive sujeito a viver do outro, de alheia dor, de alienada amargura.
Libertar-se é mais dor que sofrer de dor. Sofredor sofre calado. É padecente de predicados.
O assistido cria vínculos. Trans-cria. Entende-se.
Dor e sentir não têm a mesma unicidade. Mas provêm de mesma unidade. Meu só sentir. Meu inconsciente bondoso que foge de mim atribui culpas ao meu impossível, potencializa minha necessidade.
Um sentir que se faz intenso. Que bem se assemelha a todo o meu re-sentir.
Enquanto não sei de mim, careço de ajuda. Mas quando sei do que careço, me auto-ajudo. Me deixo crescer.
Por isso perdôo. Porque sou egoísta, graças a mim.

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Boxeando cartas matutinas


Estava zapeando e parei na HBO, boxe de Vasquez contra Valbuena. Na hora achei os dois miquiados demais.
Gosto de ver a tua envergadura, compacta, como um lutador que parece abraçar seu adversário no auge da luta. Assim como são nossos corpos quando boxeamos nossas lutas de amor.
| Claro que eles são bem menos que você, de corpo, são peso pena.
Foi uma boa a luta. Cai daqui, cai de lá e fui prestando atenção no infernal e odiento linguajar de quem mexe com esportes. Tratam-nos como tontos, no mínimo ignorantes de nossa língua.
E isso que admirei tanto: você escrevendo sobre esportes, boxe em especial, numa ótima linguagem.
Terceiro round e pensei que fosse acabar quase agora.
Veja, tentei assistir a cerimônia do fogo olímpico e desisti. Não sou purista, mas ouvir esse pessoal fazendo filosofia sobre a pomba, Noé e as corridas, nem com chuva e dilúvio consigo engolir. Isso me deixa fora dos nervos.
O sétimo round foi divino
Gostaria de um dia assistir boxe contigo, me dizendo o certo das coisas...adoraria.
Desculpe o teclado que está se recusando a colocar acentos.
Mas voltando... sou muito orgulhosa dessa sua ida a Curitiba. Veio um pouco antes do que me disse, mas melhor assim, acho. Não sou de ter muita paciência com a espera, imediatista demais. Chegou a perceber? rs...
Adoro falar com você, mas ainda fico meio sem jeito de ligar. Ou de te chamar pelo icq. Nunca sei bem se estou atrapalhando ou se estou importunando, duvidas de iniciante... nas lutas amorosas. Melhor dizendo em nossas lutas.
Como me perguntou, respondo. Adoraria conversar antes da viagem para a entrevista em Curitiba. Quanto tempo fica? A que horas sai?
Voltando à luta. Apesar desse Valbuena ser o campeão não gostei muito do modo dele lutar hoje, não. Nada da dança bonita de Cassius Clay. Sou mais antiga. Ele ainda nem era Muhamed Ali quando comecei a me interessar pelas lutas. Sim eu sei, gostas de Tyson. Eu, dele, até Japão penso. Não tiro o mérito, nem dele, nem do Cus Damatto, mas que vou morrer achando que quando Cus morreu esse guri pirou, ah isso teimarei com você até morrer.
Seu resfriado ainda nãõ sarou?
Nono round. Queda, queda. Pontos tirados por empurrões e não socos. Onde o boxe foi parar... empurrando?! Me contassem e nem eu acreditaria.
Bem passei o dia hoje de cama, essa nova modalidade de febre que sem motivo nos leva aos 40 graus, cama o dia todo e que deixa a farmácia cada vez mais rica. Fiquei podre de cansada, mesmo deitada. Quis aproveitar e bordar para a sobrinha-neta, mas os olhos traíram. Nem óculos funcionaram hoje, estavam se recusando a usar os olhos.
Cuide-se, meu querido, que já tenho por você enorme carinho.
Amanha vou a pinacoteca ver a exposição das irmãs Klabin. Ando muito cultural. Talvez, quem sabe, coisas desse seu Pedro Juan Gutierrez.
Décimo primeiro round e já estou achando que luto melhor que os dois. Novo desconto dos empurrões. Esse povo não tem um sparring decente? Vou acabar virando sua agenciadora. Só não prometo ficar para ver.
Existem coisas que marcam nãõ e? Sua marcas, as marcas roxas, eu adorei. Pode alguém ser assim tão louca? Gosto de ver a tua mão morena na minha pequena e branquela. Os calos arroxeados, os edemas. Loucura! Mas se são teus, gosto de ver. Entretando, como te disse, não me peça para te ver lutando. Seria capaz de avançar no teu opositor em sua primeira lona ou pular em cima de vc na lona final dele. Sou péssima torcedora quando o lutador e você.
Gosto de ver em teus olhos esse anteparo ao nãõ gostar. Esse muro de falso arrimo que vejo desmontando. Esse Não em que você sempre se coloca. Gosto de coisas em você, gosto das coisas de você, gosto de conversar com você.
E deu no que tinha que dar, o tal do Vasquez ganhou.
Também estava dando bem demais, cada direita de fazer gosto. Luta sem nenhum clinch e o supercílio do Valbuena já parecendo 3 montanhas. Mulher assistindo Boxe só pode ser assim. Considerações em meio a uma carta de boa viagem.
Sou teimosa, aposto que boxe é ainda melhor que Muay Thay.
Vamos ver Tyson no Japão? Da cama querido, da cama. E já te ouço dizendo – quer apostar?
Beijos de vou dormir.
Cuide de você porque já há muito de mim por ai.
Ah sim, disse quem venceu? O Vasquez, que ninguém esperava já que o cinturão era do outro, mas que sob minha ótica feminina, era o melhor.
Já vou para o quarto conto da Trilogia Suja de Havana e estou te achando bem a lá Pedro Juan... mesmas similitudes. Você, os jornalistas de minha vida. O que leio e o que tenho. Seus dois que estão sempre em mim.
Beijos e cuide-se. Amanhã nos falamos






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quinta-feira, março 25, 2004

A sua lembrança me dói tanto
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal


Vivo musica, sou melodiosa, harmonizo meus sons.
Mas cantar a saudade tem me cansado.
Coisas de quinta-feira.
E nas quintas que me perco
Quintas são saudades, antigos tempos não sonoros, o intervalo perfeito.
Troco, toco e sonho. Externa a elas, faço do tempo uma melodia átona. Diatônica.
Fico fora, de par com a lida, porque quinta é de feira, quinta é de trabalho.
Quintas musicais. Beethoven em quintas. Quiálteras, o intervalo perfeito.
Sou surda a estes “aforismos”.

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quarta-feira, março 24, 2004

Passei a madrugada acordada.
Coisas de filhas, febre e tempo.
E inconformada, porque nem ler conseguia, fiquei a pensar no que gostaria de fazer que ainda não tivesse feito.
Nada. Um imenso vazio, repleto de impossibilidades.
Fiquei tímida e temerosa? Não, me recuso a acreditar que a idade tenha me feito algo assim.
Mas deve ter feito.
E foi deste modo que as gavetas, dos armários, da casa e da alma foram fechadas. Sem que tivesse percebido.
Ai que trabalho terei para fazer novos trilhos onde esta gavetas consigam correr...

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terça-feira, março 23, 2004

Ah, se eu soubesse...
Estava no centro. Da cidade e da cama. Fazendo amor.
Fico pensando se é tão diferente de transar. E sim, sei a diferença. Acho que sei.
Quando você não canta, algo deixa de acontecer. São as suas chaves, tão cotidianas e sua inquietude, tão arrivista. Suas letras, dos olhos e da pele, que lutam para gostar e que não sabem: você as prende!
Simples, você, e todos te leriam. Mas tu és hermeticamente entalhado nessa sua distância dos outros.
Tua impossibilidade do pré-sentir cria teus longes e se perde. Vagueias, sim, dentro de si unicamente.
A continuar assim, ficarei enamorada. Apaixonada até. Pelos teus pensamentos imperfeitos, tua arrogância contínua.
— Teve outro?
Suas perguntas... molecas, inseguras, de um menino que não quer nem querendo, porque agora já é, bem... seremos ultrapassados pelo enamorar.
Some days are diamonds, some days are stones.
Ah, se eu soubesse cantar John Denver...

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segunda-feira, março 22, 2004

Coisas

As coisas, quando coisas, nunca avisam a que vêm. Revelam-se. E trate você de se estabelecer com elas.
Concretas, não há como escapar. Não, não falo de amores, nem de paixões e nem de rompimentos. Só do viver.
Às vezes esqueço de brindar a vida. E apesar da dor, existe à volta. Volta aos sentimentos, volta do sentir e do querer bem. Saber que há os que bem-quero e que ainda existem outros a serem bem queridos, bem gostados.
Piegas, bem piegas são as voltas. Mesmo as que tem vida.
Mas voltar é uma coisa. E as coisas não avisam. Simplesmente acontecem.
As coisas desvelam-se, tal qual linha sem cor que a vida tempera e a idade colore.


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sábado, março 20, 2004

Há andamentos onde agrados se fazem necessários.
Não sexuais, escassos na sensibilidade.
Nem eróticos, enquanto canhestros.
Não mais que toques, que façam da epiderme águas de ontem, amanhecidas hoje.
Dias para encontrar, na pele, as respostas às solitárias perguntas únicas e gerais.
Há momentos de movimentos assim , raros, frágeis, preciosos.
Necessários...
Ou a paixão destrinca.

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Fato

Se pudesse
voltar ao passado...
não voltaria

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sexta-feira, março 19, 2004

Contar Saudades

Fiquei aqui pensando em como poderia contar da saudade.
Não saudade desvairada, nem saudade de amante, nem saudades outras. Nada tão intenso que chegue ao choro e nada tão mixuruco que passe desapercebido. Saudades de ouvir uma voz, a tua. Coisa pouca mas que gosto.
Nem saudade filosófica, que fala de incompletude, melancolia e separação. Continuo dizendo, nada tão e nada assim. Saudade somente.
Um leve entristecer porque sinto a tua falta.
Um sentimento doce porque posso fazer as memórias de volta.
E um pequeno tormento, porque espero que apareças logo.
Bem saudade, bem você, bem a tempo, bem à vontade.
Acho que estou ficando apaixonada.
8.1.2004

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quinta-feira, março 18, 2004

Aprazado

Pensei em escrever. Só pensei porque ao sentar olhei por cima dos óculos e vi o sol tentando ir dormir ao lado da lua. Um encontro curto e raro. Os dois não se vêm só passam lado a lado. Como eu com meus intensos amores. Que já nascem com prazo de validade vencido. Olhei o sol, a lua e quis chorar. Só quis. A Lua chegou, o sol se foi e eu... fui ver a bula do nosso amor. Venceu, como todos os que já tive.

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Blog arrumadinho, novinho na apresentação, seguem agora letras antigas

Falhada saudade A saudade é um bichinho sui-generis, alimentando por letras, angustias e bobagens. Sim, porque para alguém como eu que odeia política, estar lendo a sessão da Venezuela, Mundo e Partidos só pode ser um caso de acometimento agudo de saudades. Se bem que para me preservar, leia só os cabeçalhos. É a mesma saudade que fme fez arruvair os cabelos sábado passado. Um ruivo cheguei-e-fiquei, que desbota a cada lavada, mas que deve aguentar até que as saudades sejam saciadas. A mesma saudade que numa básica troca-de-óleo faz aparecer o nome do saudoso nos sonhos e na boca que, traiçoeira, conta a verdade. O trocante retém seu instrumento, reclama e proclama. Estou saindo! Muito trabalho por nada, porque bem lembrado, sabe que trocas de óleo não são trocas de amor; que fidelidade foi pacto nunca exigido e que as trocas de óleo pedem, quando muito, química e não frivolidades como dizer-se apaixonado e fazer juras de amor quase eterno, jamais. E as falhas, estas são falhas sim. Trocas são feitas mediante consentimento mútuo. Mas permitem, vez ou outra, declarações como as de ontem. Sou fissurado... e disse onde. Tal impacto fez com que chamasse o outro, aquele que queria ali. Impacto contundente, mas que explicado, fez o trocante, voltar e dar mais duas recargas, prontas, novas e saborosas. Erro, sim. A saudade provoca erros. Pelo menos este, consertável. Mas um pouco humilhante... para o outro, não eu.

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quarta-feira, março 17, 2004

Como não consegui arrumar o blog nem colocar os comentários, por favor, mandem via email.
Os textos antigos vou re-colocando a cada novo post.
Obrigada
maria

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Desde ano passado descobri que todo dia dois vem em seguida ao primeiro dos dias; que janeiro só começa quando o ano acaba.
São graves as constatações. Mas sobrevivo com todas elas
Hoje é dia de não fazer. Dia de acalmar temerosos fantasmas. É o dia, o que não quer dizer que vá conseguir serenar ânimos nem fazer algo.
Ontem pensei que é preciso saber partir. Só é preciso. Não necessita o conhecimento para que dele seja feita à práxis. Aliás, não gosto nada dessa palavra práxis. Mas tem outra tão prática para ser usada na mesma insignificância?
Os dias são diferentes. Não como verdades universais mas como róseos dias que se retardam roxos e macilentos. Esta a diferença. Sutil, quase alvitre, quase metafórica.
Anteontem me disse um delicioso boxeur das letras que charuto fumam os escritores e cigarros... restou a fumaça no ar.
São os concretos absortos que me atraem. Bem sei, sou aquela que aqueloutros querem que eu não seja.

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Transitiva.


Janeiro, pelos ocidentes de cá, versa com água, ainda que sem rimas.
Infestação de chuvas, anoiteceres rápidos em dias ensolarados, trovões acordantes fazem assim o tempo verão. Do solstício ao equinócio.
Com toda essa água, no norte é a estação das secas.
Sinto que o meu verão é meio nortista. Por mais que a água queira me lembrar de amores, calmos e sem remorsos, é esta a mesma água que me deixa ir. Nem abstrato, nem desesperançado, meu amor em estado latente de apavoramento, supera até as águas de março e reserva-se.
Não há quem não tenha ouvido falar do amar. Mas há quem não ame.
Sou dos leves gostares que de tão leves fazem ficar. Ficam em ventos. Alíseos, pacientes, evaporam-se no inverno. É a pressão do contato.
Nem tão serena, anseio por um outono onde quem sabe, amores terríveis aconteçam, incompatíveis com meus verões e primaveras. E é então que lembro a ordem das coisas. Primavera, verão, outono, inverno. E descubro a inconciliável causa do meu coração espartano. Que perde batalhas, não ganha guerras, mas teimoso, segue em frente.
Há uma concordância explícita que o prazer é controverso. E por não saber amar ofereço-me para cultuar as infelicidades da caça. Os prazeres.
E quando em inverno, floreio primaveras, pintadas de escaldantes veranicos, que ao chegar do outono, repousam, vivas, em estrondosos amarelos esperançosos de vermelho.
É do rubro que se faz o amor.
E por deixar passar, sigo a ordem das coisas. Procissão de reza, estação de madalena. Implorar a nada leva. Verão, outono, inverno, quem sabe um dia pule a primavera e desponte amante.
Quem sabe?


11.2.2004

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terça-feira, março 16, 2004

Infelizmente criou-se o caos ou deu pane. Em mim, ou no blog ou no blogger. De quem quer que tenha sido o branco momentâneo, o blog foi-se. Por isso estou nas tentativas de renová-lo.
Tenham paciência com essa inepta blogista neófita.
maria

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