sexta-feira, março 26, 2004

Guardar ressentimento é como tomar veneno
e querer que a outra pessoa morra.

Shakespeare

Afetar, sentir, o re-sentir.
Viver. Verbo, ação, um estado. Sentimentos, que no re-torno sempre são re-sentidos.
Retrocesso, regresso, recuo. Revolta
Quando me volto, para dentro, para pensar, é sempre comigo que me penso.
Assim, erradamente, mas bem dentro de mim.
Inferir. Bem melhor que deduzir, que é palavra de detetive. Pré-sinto, tal e qual, encontrando aqui chagas invisíveis que me avisam desse dês-sentir.
Acordar.
Das dores e ressentimentos. Não estar atada. Tanger a dolorosa tecla e fugir da dor.
Iguais se tocam, refletem, enganam. Na verdade refratam, quebram as direções, desviam os sentimentos.
Quem se permite dor imposta, vive sujeito a viver do outro, de alheia dor, de alienada amargura.
Libertar-se é mais dor que sofrer de dor. Sofredor sofre calado. É padecente de predicados.
O assistido cria vínculos. Trans-cria. Entende-se.
Dor e sentir não têm a mesma unicidade. Mas provêm de mesma unidade. Meu só sentir. Meu inconsciente bondoso que foge de mim atribui culpas ao meu impossível, potencializa minha necessidade.
Um sentir que se faz intenso. Que bem se assemelha a todo o meu re-sentir.
Enquanto não sei de mim, careço de ajuda. Mas quando sei do que careço, me auto-ajudo. Me deixo crescer.
Por isso perdôo. Porque sou egoísta, graças a mim.

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