domingo, abril 04, 2004

Teimosias literárias

Odeio Joyce. Ele escreveu Ulisses. Sim, é verdade. Não posso culpar o homem por isso. Levo horas para descobrir que não o odeio tanto assim já que amo os dublinenses.
Amo o Trevisan. Não o vampiro de Curitiba mas o João Silvério. Dele li dois contos, ouvi dois outros rezados por ele e nada mais. Amo não só Joãozinho como sua escrita. E nunca o li.
Minha leitura de alcance de mão é Shakespeare, que vive mais espalhado pelo quarto. E, como dizem as filhas, existem mil copias do bardo pela casa. Gosto tanto deste homem, que lembro de Pórcia, Much Ado About Nothing, que gosto muito mais assim, em inglês, e dos outros mais, preciso sempre parar para pensar.
E do enorme desassossego, tenho só quatro. Um, histórico, de meu avô; um que ganhei, outro da brasiliense e o último da Cia das letras. Fernando é Pessoa que não me canso de reler. Mas paixão? Paixão tenho pelas cartas. Dele com Ofélia, até.
Aliás são das cartas o local mais diferenciado entre os livros. Só o local. Vivem a meu lado, na enorme cama-escritório.
Abaporu não me desce. E é incrível como as cartas de Tarsila a Luis Martins me fizeram rever aquele amarelaço que não amo. Mas já engulo...
Sou “A” rainha da mitologia. Inda ontem dizia que quem mandou construir o labirinto foi Menelau esquecendo que Helena, a de Páris e do pomo, foi sua esposa e que, no ouro, o rei era outro: Minos. Pai de Ariadne, a do fio, de Teseu e das teias. A tecer seu eterno abandono. Não, abandonada? Essa não era Penélope, a musa, que tecia os fios da vida?
E como brigo, Marx que não me desculpe, com o mais valia que pouco vale no trabalho intestino e feminino, entre paredes e filhos. Descobri, como sempre, bem fora da época, que Lafargue, o tal do ócio, era genro do homem. Domenico de Mais que se cuide. Suas entrevistas, seus livros ainda estão na pilha dos que devem ser lidos.
Coisas de doidivanas, coisas do esquecimento coisas de maria que sou e sempre serei.
Saber, eu sei. Só confundo com a convicção da certeza.

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