terça-feira, maio 04, 2004

Estava eu à cama quando a cortina percorreu o teto. Aberta, a janela deu vazão ao vento tempestivo.
Imóvel, invisível , cuidava de firmar o olhar.
O céu, ausente da cor, vergasta e desvia.
Lá chove, venta. Aqui não.
Ver a chuva deitada na cama seca é frenética valsa, ritmado convite.
Quieta, continuo. Não quero me indispor contra o vento que sai e volta à sua vontade, retalhando mais e mais a fazenda clara.
Fica em pedaços a minha pobre cortina. Ainda tem perfume de nova, é de perto destes dias últimos.
E o vento, trivial, tece entre as fitas, novas passamanarias.
Os elementos, cerzindo as águas. O vento tricotando o tempo em laçadas e malhas com as cores dos ímpetos primários.
A união, ponto a ponto, de interesses, naturais.

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