sexta-feira, junho 18, 2004

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes




Esta é a terceira... não! É certamente a quinta noite onde perco o sono por ansiedade, agonia e o que mais for. Com clareza, provavelmente a primeira noite que perco o sono... com sono e preguiça... mas que adoraria ficar acordada. Queria arrumar o quarto para receber quem chega, meu moço que vem de longe.
Com cuidado escolho seu lado da cama.
Não! Não...
Deixarei a ele o lado que deitar.
Corri, no final da tarde, a lhe comprar agasalhos. A terra aqui anda fria, bem contrária as tuas, as terras de lá.
O quarto me preocupa. Deveria estar em ordem.
Mas a minha ordem deve ser de outro mote. O branco da parede está lanhado pelo abajur que lascado arranha a madeira da cama e vai, água a água furando a parede..
Esse moço que chega de longe,.. e que sabe dos meus defeitos e sabe fazendo não se importar, esse é o moço que chega pra me triscar, pegar e guardar.
Vem para meus lençóis antigos, moço. Foram lavados ontem.
Vem para aportar minha cama. E quando aqui deitares contigo não farei amor Isso muitas já fizeram. Já o disse tantas vezes... e novamente direi.. cuidarei de te cuidar . vou te assoprar os devaneios, criar sementes.
Ah, moço que aqui me habita, não sou dona de seu corpo nem almejo sua alma. Apenas velo o sono, primeiro de muitos em cama comum. Comum de alvos sonhos e predicativa nudez.
Descanso em sua cansada fadiga de corpo as minhas novas unhas vermelhas. Para te receber refiz o sempre. Banho e cuidados. Cabelo renovado num vermelho ainda mais estridente, ilumina de cores os cachos que pouco restam. A pele esfoliou-se com o sol do inverno. Renasceu velha. Na certeza de já ser usada porque sei que é bem assim que devo oferendar-te.
Levei sons a descobrir que a música tocando era a que mais magoou meus 15 passados anos. Mundos jamais serão What a Wonderful World. Quando aos quase quinze, achava que sim. Mas aí, veio a vida má e fiquei morta de mim quando perdi minha primeira parte. E eu que ontem anoiteci pedindo aos céus um sinal, agora, quando nem mais esperava; agora. quando decidi sem sinal algum fazer da minha a minha nova vida, chega meu aviso.
Que o tempo pare... mas que o tempo ao tempo dado, volte e volte sempre.
Estancada em mais de anos, levo como sua a minha história. Não parei, nem chorei e jamais pensei em desculpas. Fracasso no meu melhor. Sempre.
Fracasso não é desdouro. É do caos. Velar sonos, criar infernos e fantasiar perdas. Ai como pareço um caso de paixão, como sou um caso de amor, como quero ter sono, como quero dormir.

Pensei, repensei tanta coisa
Ah, me deixa ser teu marido
Pensei, repensei tanta coisa
Queria casar-me contigo


Ontem disse que amanhã te amaria. Hoje sei que sou toda de amanhãs.
Devo ter medo, moço?


Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha a tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal...



Letras incidentais

Parece que dizes... Anos Dourados — Tom Jobim e Chico Buarque que sábado vindouro completa 60 anos

What a Wonderful World — que pecaminosamente, defeito gravíssimo para alguém formada em música, não sei a autoria precisa.. sempre dizem Louis Armstrong mas não garanto

A vida má, se bem me lembro era quadrinha que recitei na escola, de Manoel Bandeira que também não garanto a autoria afinal todos sabem sou esquecida, confusa e desmiolada
Quando menino
Fui como todos, feliz
Aí veio a vida má
E fez de mim o que quis


E por final pensei tanta coisa e chega mais perto moço bonito fazem parte do tema de amor de Gabriela docemente cantando pelo quarteto em cy com Tom Jobim, cantor e autor

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