segunda-feira, junho 28, 2004

Tempo

Sem pensar sei que penso, me sinto te amando e tenho medo. Receio ter medo ou ter receios.
Não sei.
A perda é tão presente que o apavoramento deve vir temeroso de outras e outras. As novas apresentações me tocam. Meu desejo é estar para sempre enamorada. Mas a vida de tempo em tempo vem e me diz:
Levante-se, vá crescer.
Vire-se, vá cozinhar.
Troque-se, vá amar.
Minha vida vem e é assim que me diz.
Estou aprendendo a fazer o tempo acontecer. Deixar no quarto as poesias que andas me contando. Lavar no banho teus carinhos para novamente incuti-los debaixo da pele. Ouvir tua voz em todas as luzes. Apagar todos os sons só para ressonar os minutos de agora atrás.
Tenho vontade de abrir sua mala, pegar suas letras e novamente me ler em tuas poesias. Mas você não está então lembro da noite, respiro nova madrugada e espero que chegues para fazer dessa a minha nova noite de ontem.
Saia meu amor que contigo vão pedaços de mim.
Volte, moço que vem e que vai. Minha boca aguarda a sua, minhas mãos atam de vontade, e meu corpo espera arder.
Quero estar em teu corpo feito tatuagem, não seguir viagem e deixar a noite para você que vem.
Venha moço. Talvez o tempo nos faça.

Ou comente aqui: