ando escrevendo pouco, bem sei e às vezes coloco aqui textos antigos. Porque para mim o blog nada mais é que um bom lugar de escrever não levando em conta tempo, pessoas, acontecimentos, nada disso. Em alguns escritos, claro, trago meu cotidiano, em outros, o cotidiano alheio - coisas que ouvi, coisas até que imaginei. Mas aqui tenho sempre como minha casa de escrever.
Assim e só.
Por isso coloco para vocês um dos meus antigos, que foi selecionado para entrar numa oficina de literatura internautica.
Homem meu objeto.
Homem!
Quando te pedi, seja meu objeto, foi por necessitar realmente de ti.
E dessa necessidade maltratar-te.
Privado dos sentidos, a você somente a escuridão.
A mim tudo será permitido... meus sentidos estarão em você, na descoberta deste novo prazer.
Num singelo aceito, meu pedido veio.
Enrubescida, apaguei as luzes.
Meu objeto, você, existia naquela hora somente.
Nos meus, os teus dedos serão o despertar das minhas vontades.
Quisera-te objeto, do desejo que em ti despertou o sangue em mim. Não pulso, jamais cresço mas hoje fiz de ti meu pau ereto.
Sentindo-te, roupa contida, calça quase aberta, zíper puxado, explorei teu seio masculino em minha boca ávida por ter-te agora.
Prazerosamente, mordi teus bicos, suguei em teus ombros. Senti teu cheiro e deitei-me em teu colo.
Imóvel, respirava meu objeto. Latejante, entre as pernas adormecido, estava quem eu queria em minhas jornadas. Preso, acuado entre panos e apertado.
Não o solte. Jamais o soltaria. Era meu o objeto e objetos nunca se movem. São movidos.
Movimentando suaves meus dedos na boca, que não coloquei em ti.
Hoje em meus lábios, só o bico crescente dos teus arrepiados peitos.
Desnudei-me escura, certa do meu prazer, abandonada aos não apelos teus.
Respirar, tua única sina.
Não fui à boca, lábios, língua. Objetos não devem ser beijados.
Não abras, não abras tuas pernas. A calça será teu corte, tuas correntes. Atado a elas, nada poderá fazer.
Respiras.
Forte e docemente.
As mãos, aquelas tuas que outrora quis, escapam do meu cerco e ávidas querem meus seios. A estas, dou permissão. Já as queria ali, impacientes, tateando-me.
Selvagem e suave, em ti me enrosco. Desnudada, ofereço-te o peito que jamais beijarás. Roço pela tua boca meu sopro. Em teu seio ofereço meu peito.
Imóvel, não te permito nada. Se queres, não podes.
És meu objeto.
Meu desejo, meu desiderato, minha desídia, minha última indolência.
Sem mágicas, sem sonhos, somente meu e somente objeto.
De ti virá meu prazer.
Frouxamente me recosto, te permito, o nada. Nem o olhar. Somente ouço teu respirar.
Minhas pernas, em ti coloco. E nas nuances dos silêncios não ditos, em ti me acomodo. Pernas abertas, minhas mãos, dedos teus que agora são meus, tocam em mim, levemente.
Nem preciso me abrir. Espero-te há tempos.
Leve, fui tecendo controles.
Sonora, fui ouvindo teu pulsar, latejando em minha mão.
Mãos pequenas as minhas. Não me alcanço, em mim não entro. Não sei me penetrar. Murmuro desesperos, tu ouves, não respondes. Não me entendes.
E as mãos, aquelas tuas, ainda em meus seios, passeiam. Apertam. Te seguro. Não podes me apertar.
É a lei.
É a ordem.
Objetos não devem, não podem.
Meus poucos gemidos, ouço pelos dedos quando te sinto pulsar.
E porque magnânima sou, liberto o teu começar e passeio os dedos, agora meus, em teu eterno desejar.
Sente, ah... como você sente.
Mas como objeto, a ti nada é permitido.
Sou rápida no desejar, lenta no sentir.
Fico a me acariciar, te sentindo em dedos entre leves e apertados.
Não há, não haverá. Encontro das águas. As tuas, seguro e prendo, para que nada sintas.
As minhas só eu saberei. O gosto e os odores do objeto do sentir.
Te fiz coisa.
Mais me inclino, mais me sinto, e meus dedos, outrora dedos teus, entre minhas pernas andam, minha essência, só eu sinto.
Tu respiras, lateja, cresce...
Meu gozo, suave e forte, rápido, atemporal entre dores lancinantes, se apresenta.
Estremecimentos me sacodem.
Em ondas, meus teus dedos, me querem.
As pontas deles sentem o que queria de ti e assim me satisfazem
Meus sons, gritos surdos, te emudecem.
Gozo, gozo e gozo.
A ti, nada permiti.
Como virgem vestal, cubro-te as vergonhas.
Meus dedos lassos do novo prazer adquirido, se perdem entre plumas e espumas, que recheiam meus travesseiros.
Coloco, silenciosamente, minha roupa.
Nua debaixo de um vestido bordado.
Abro as janelas. Preciso ver o dia nascer. Meu novo dia trará tuas eternas marcas.
Por não teres gozado, por teres sido meu objeto, sofrerás a perpétua sina de na dor, ser meu o teu amor.
Sorriso nos lábios, deito-me feliz.
És meu, sempre serás meu.
Tens agora, em ti, todas as minhas marcas.
E a noite, quando vieres, te ensinarei a gozar
Digressiva Maria
digressões atemporais, sensibilidades, letras e o que mais vier.
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