domingo, agosto 29, 2004

Um dia encontrarei. Ou serei encontrada, quem sabe?
E quando assim acontecer, o toque será entre as mãos.
Olhos, os teus nos meus, irão esmigalhar a época da espera.
Talvez aproxime meu corpo do teu, talvez. Contudo os mistérios... ah os mistérios... rezarei para que sejam descobertos, pouco a pouco.
Por fim, quando chegar este dia, eu, Penélope à espera, das contas tecerei dias, do tempo criarei panos e às mágoas atirarei ventos.
Contudo, se me acolheres, se me intencionares, ao vosso reino deitar-me-ei, olhar, tez, alma e corpo.
Se me quiseres

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sexta-feira, agosto 27, 2004

Gosto de escrever e saber que vocês me lêm. Me deu enorme força nestes dias de estar triste, muito triste. Fez pensar também em minha avó que não me deixou ser Maria Madalena... o peso do nome, ela dizia, ninguém merece carregar. Então fiz uma coisinha pouca, para lembrar de vocês, para sentir saudades da avó e para dizer que ando melhorada. Não se acende vela a defuntos ruins...
Escrevam, apareçam. É bom saber que todos andam por aqui.
a vocês, sempre, meus beijos mais doces.
E seguem letras feitas para a avó Madalena.



Meu primeiro nome foi um: — Ah! uma menina... quem sabe o próximo? Desconsolo deixado no berço, forçou-me entrar na vida. Tempo não leva em conta desejos paterno-maternais.
Meu primeiro segundo nome foi o da avó. Forte, instigante, diferente diria. E pela herança, encrenqueiro. O nome? Determinação em ser determinada.
O primeiro primeiro nome é mais que bíblico. Da avó Madalena, dadivosa, múltipla em amores fáceis, jamais arrependida, herdei esse predicado – o de ser maria, com esse guardado madalena. A carga do nome, dizia a avó, levo eu, mas carregue consigo ser sempre neta de madalena.
O som primeiro não foi choro como é o geral das crianças. Um silêncio apenas.
E sem vagidos e nomes importantes, e porque minha madrinha não rezou em meu batizado, criei-me na vida maria somente, maria que mente.
Porque madalenas são, bolinhos, penas e falhas. Madalena é a avó e de lamentosa Maria Madalena, a avó jamais me deixaria ser.
Por isso sou Maria, por isso dou nome às coisas.
Na verdade... madalenas são... arrependidas marias.


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terça-feira, agosto 24, 2004

Por vezes quero-te. E não sou nem sua, nem dona do meu desejo.
Só sei que quando me negas não me fortaleço, meu desejo não agrava e nem raiva de ti consigo ter.
Minto, ah... Minto, como sou mentirosa. Minto na querência e na urgência em ser tua.
Urgência que o tempo não cura.
Às vezes penso em querer-te e o corpo me entende, mas o coração não. E não deixo de sentir.
Então o choro acontece, a dengos e bicos. Me faço, tento e quero ser tua. Não gostas, não gostas...
Disse você em algum tempo, alguma hora: — Um dia faremos sexo. Sexo não quero. Meu desejo, se não sabes, é só você e de você, só o amar almejo.
Não sei trabalhar isso, não entendo um amor que não se consuma. Não entendo de amores que não estejam presentes.
Porque não tens como negar... sei que me amas.
Ao meu muxoxo primeiro, cantas, vens cantando. Música que gosto, músicas que me aconteçam, músicas de provocar risos, músicas de sair à dança. No quarto, no corredor, na sala da vida. Danças, até fazer minha, a alegria nossa. E aos cantos me decanta, envolve-me em histórias.
Sei que me amas nas proximidades, pelos meus sentidos, no tempo de não me deixar ao léu. Mas teimo, quero sempre. Quero mais, bem mais.
E meu medo só ouve teus ralhos, vê sua boca torcida e as falas de deixe... deixe disso...
E agora os olhos estão secos. Morro de medo e te perco, como se a cada choro meu um passo a menos fosse dado. E digo... Teu riso, sonoro, me diz que ter medo é meio caminho a não mais ser.
E se a perda me acontece, mais choro, mais medo tenho, pranto condicional de minha vontade.
Mas a vida, que cobra e é má, não diz, faz.
Saiu. Te saí porque eu, bem ou mal, assim o quis, assim fiz. O que não me tira a dor, o que não me mata a vontade e o que não me para o choro.
Receio querer-te e enlouquecer. Não como uma depressão, nem como um mal, malefício de sim... e sim, um enlouquecer d´alma.

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quarta-feira, agosto 18, 2004

Tenho um costume, que ainda não se habituou a ser hábito. Levemente arraigado me leva, nas manhãs ainda frias, a andar em ruas menos movimentadas.
Invariavelmente acabo em praças, que no contra lusco-fusco anoitecem meu dia ainda não clareado. Por isso que gosto deste arborizado, algumas vezes seco de árvores, um repletor de sentimentos. São sempre os contrafortes de todas as minhas esperanças, em cada preciso dia.
E então, quando me sinto cata vento para irrealidades, sento e espero que a minha praça se desfaça da noite. E na espera fico a esbulhar vontades e penseiros.
As mudanças, que sejam lentas, para que fiquem, tal qual uma aragem, uma aragem atemporal
A casa, dela sairá minha morada, se achar onde é a minha.
Da vida nada levarei, deixar-me-ei esquecida, em canto qualquer.
Dos enamoramentos quero distância. Minha cota é de sobreposse ao tempo.
As letras sempre me acolhem, o que é um privilégio.
A irrealidade estaciona, encarapitada, em meus olhos.
E no tempo... sim, para entrar a tempo é preciso dele sair. Resta saber que direção ir e que argumentos levar nesta viagem.
Vento de ventar ares, aspectuais, vislumbrantes, aires airosos
Penseiros, penseiros... bom de ares, buenos aires, bons os tempos, que mudando, se tornem eternos.
maria

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domingo, agosto 15, 2004

Você sabe... Não, você não sabe, mas ando me amargurando em letras que nem são minhas e que jamais foram escritas para mim.
Coisas novas. Cartas novas.
Vou largar de assim ser.
Ler o que é meu, gostar de quem gosto e saber que quem comigo está, está porque quer.
Assim sei, assim aprendi, assim sempre soube.
E as letras... Que o vento as leve afinal... Não eram para mim...

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segunda-feira, agosto 09, 2004


A descrença perfuma-se no tempo como fumaça de pouca monta — prelúdio de grandes incêndios, início de novos desalentos.
E como o tempo, que entra e sai de qualquer lugar, se maquia de combustão e de desespero para encadear na desconfiança.
O amor em si mesmo não se basta, jamais! Amor que é amor a ser prezado vem a dois, parelho e sonante.
Em um as coisas podem até ficar, jamais acontecer. Não se ama impunemente, nem se é desestimado sem dor.
A benquerença se deixa desavisar. Os cuidados se fazem vagos e a estima defenestra-se por qualquer oco que lhe pareça nefasto.
As situações de perda agudizam-se e o aturdimento cobra, a toda hora, o conhecimento de onde foi? Mudou? Por que?
O não saber descaminha, desassossega sonos noturnos, desperta asfixiantes destratos, desafia auroras tardias.
A saudade vale uma vida inteira, mas a dor de amor dura um só ano porque temos que sofrer as estações e amar os invernos, descartar os verões, sentir todos os outonos e desflorir em nenhuma primavera.

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domingo, agosto 01, 2004

Quando o som deixa de ser e o motivo é de céu feito retalhos ou de sol costurado aos poucos, é esta a hora onde aporta em mim o obscuro dos desejos teus.
Quando o tempo é roubado e as rimas são interiores, sei que é chegas e que esse é o presente.
Quando as lembranças correm ao senso, e a crítica foge da memória, sou eu lamuriosa saindo do teu desvelo.
Quando me acordas, os dedos nas costas, mãos em mim espalmadas, pernas a me sentir, meus vagidos pretensam insonoros sons. Cria-se entre nós tensão eletro-estática, reivindicação bilateral.
Espanhola, te acolho.
Oral, te chamo.
E vens, impetuoso, manso e firme, vens. Recostada, peito desnudo, afronto e ofereço minha frente que te acolhe e tu meu homem, jamais perdido, semi-deitado, em mim tomba teu estado.
É visível meu temor, perigoso como tu te espalha em tudo o que há de mim. Gosto de ser temerária.
Não me privo, uso da fala e digo: tens dona, nesta hora tens dona.
E por ser eu a dona repito mantra, meu sagrado ritual: te amo, me amas, te amo, te amo.

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