A descrença perfuma-se no tempo como fumaça de pouca monta — prelúdio de grandes incêndios, início de novos desalentos.
E como o tempo, que entra e sai de qualquer lugar, se maquia de combustão e de desespero para encadear na desconfiança.
O amor em si mesmo não se basta, jamais! Amor que é amor a ser prezado vem a dois, parelho e sonante.
Em um as coisas podem até ficar, jamais acontecer. Não se ama impunemente, nem se é desestimado sem dor.
A benquerença se deixa desavisar. Os cuidados se fazem vagos e a estima defenestra-se por qualquer oco que lhe pareça nefasto.
As situações de perda agudizam-se e o aturdimento cobra, a toda hora, o conhecimento de onde foi? Mudou? Por que?
O não saber descaminha, desassossega sonos noturnos, desperta asfixiantes destratos, desafia auroras tardias.
A saudade vale uma vida inteira, mas a dor de amor dura um só ano porque temos que sofrer as estações e amar os invernos, descartar os verões, sentir todos os outonos e desflorir em nenhuma primavera.
Digressiva Maria
digressões atemporais, sensibilidades, letras e o que mais vier.
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