terça-feira, agosto 24, 2004

Por vezes quero-te. E não sou nem sua, nem dona do meu desejo.
Só sei que quando me negas não me fortaleço, meu desejo não agrava e nem raiva de ti consigo ter.
Minto, ah... Minto, como sou mentirosa. Minto na querência e na urgência em ser tua.
Urgência que o tempo não cura.
Às vezes penso em querer-te e o corpo me entende, mas o coração não. E não deixo de sentir.
Então o choro acontece, a dengos e bicos. Me faço, tento e quero ser tua. Não gostas, não gostas...
Disse você em algum tempo, alguma hora: — Um dia faremos sexo. Sexo não quero. Meu desejo, se não sabes, é só você e de você, só o amar almejo.
Não sei trabalhar isso, não entendo um amor que não se consuma. Não entendo de amores que não estejam presentes.
Porque não tens como negar... sei que me amas.
Ao meu muxoxo primeiro, cantas, vens cantando. Música que gosto, músicas que me aconteçam, músicas de provocar risos, músicas de sair à dança. No quarto, no corredor, na sala da vida. Danças, até fazer minha, a alegria nossa. E aos cantos me decanta, envolve-me em histórias.
Sei que me amas nas proximidades, pelos meus sentidos, no tempo de não me deixar ao léu. Mas teimo, quero sempre. Quero mais, bem mais.
E meu medo só ouve teus ralhos, vê sua boca torcida e as falas de deixe... deixe disso...
E agora os olhos estão secos. Morro de medo e te perco, como se a cada choro meu um passo a menos fosse dado. E digo... Teu riso, sonoro, me diz que ter medo é meio caminho a não mais ser.
E se a perda me acontece, mais choro, mais medo tenho, pranto condicional de minha vontade.
Mas a vida, que cobra e é má, não diz, faz.
Saiu. Te saí porque eu, bem ou mal, assim o quis, assim fiz. O que não me tira a dor, o que não me mata a vontade e o que não me para o choro.
Receio querer-te e enlouquecer. Não como uma depressão, nem como um mal, malefício de sim... e sim, um enlouquecer d´alma.

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