domingo, agosto 01, 2004

Quando o som deixa de ser e o motivo é de céu feito retalhos ou de sol costurado aos poucos, é esta a hora onde aporta em mim o obscuro dos desejos teus.
Quando o tempo é roubado e as rimas são interiores, sei que é chegas e que esse é o presente.
Quando as lembranças correm ao senso, e a crítica foge da memória, sou eu lamuriosa saindo do teu desvelo.
Quando me acordas, os dedos nas costas, mãos em mim espalmadas, pernas a me sentir, meus vagidos pretensam insonoros sons. Cria-se entre nós tensão eletro-estática, reivindicação bilateral.
Espanhola, te acolho.
Oral, te chamo.
E vens, impetuoso, manso e firme, vens. Recostada, peito desnudo, afronto e ofereço minha frente que te acolhe e tu meu homem, jamais perdido, semi-deitado, em mim tomba teu estado.
É visível meu temor, perigoso como tu te espalha em tudo o que há de mim. Gosto de ser temerária.
Não me privo, uso da fala e digo: tens dona, nesta hora tens dona.
E por ser eu a dona repito mantra, meu sagrado ritual: te amo, me amas, te amo, te amo.

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