quinta-feira, setembro 02, 2004

Tenho tanto apreço por este texto, sou de tantas transições... que resolvi dar, a mim e a vocês, essa nova re-leitura. De tansições, de dores e quem sabe, de novos amores.
Que toods fiquem com meus beijos e carinhos.
maria

Transitiva.


Janeiro, pelos ocidentes de cá, versa com água, ainda que sem rimas.
Infestação de chuvas, anoiteceres rápidos em dias ensolarados, trovões acordantes fazem assim o tempo verão. Do solstício ao equinócio.
Com toda essa água, no norte é a estação das secas.
Sinto que o meu verão é meio nortista. Por mais que a água queira me lembrar de amores, calmos e sem remorsos, é esta a mesma água que me deixa ir. Nem abstrato, nem desesperançado, meu amor, em estado latente de apavoramento, supera até as águas de março e reserva-se.
Não há quem não tenha ouvido falar do amar. Mas há quem não ame.
Sou dos leves gostares que de tão leves fazem ficar. Ficam em ventos. Alíseos, pacientes, evaporam-se no inverno. É a pressão do contato.
Nem tão serena, anseio por um outono onde quem sabe, amores terríveis aconteçam, incompatíveis com meus verões e primaveras. E é então que lembro a ordem das matérias. Primavera, verão, outono, inverno. E descubro a inconciliável causa de ser o meu um coração espartano. Que perde batalhas, não ganha guerras e segue, teimoso, passos à frente.
Há uma concordância explícita — o prazer é controverso. E por não saber amar ofereço-me para cultuar as infelicidades da caça. Os prazeres.
E quando em inverno, floreio primaveras, pintadas de escaldantes veranicos, que ao chegar do outono, repousam vivas, em estrondosos amarelos, esperançosos de vermelho.
É do rubro que se pretende o amor.
E por deixar passar, sigo a ordem das coisas. Procissão de reza, estação de madalena. Implorar a nada leva. Verão, outono, inverno, quem sabe um dia pule a primavera e desponte amante.
Quem sabe?

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