domingo, outubro 31, 2004

Domingos

O ato é obrigacional, a vontade deve reger a escolha e quanto ao resto, pede-se que o domingo siga seu curso.
Fui votar com as filhas menores.
No primeiro turno estava tão certa do candidato a vereador que nem me preocupei com o essencial: o cargo de prefeito.
Ligeiro tumulto eleitoral. Eu, preocupada, vendo a fila crescer, pedi à filha mais velha que corresse descobrir o número dos cândidos. E foi tal o inusitado da situação que comecei a sorrir... e a rir... não era aquela a hora para ser esquecida, e muito menos a hora de não ter o principal — a “cola” do número do candidato.
Segundo turno e com tudo decorado, voltamos ao voto.
Não pensei que já era famosa.
Subi os degraus em nova beligerância — quem apertaria a tecla confirma e qual das duas seria a dos números. Deixamos o dilúvio com Noé e peremptória a mãe, eu, rosnou um — se continuarem voto sozinha. Ameaçadas suficientemente bem, faltadas com todas as liberdades de expressão, acalmaram-se as duas.
Cheguei, sala vazia, três moços mesários-eleitorais, duas filhas de bico e olhares emburrados, porém quietíssimas, tementes ao medo de perderem seu voto auxiliar, e eu, no meu estupendo modelo mãe-em-quase-verão conjunto de saia e regata, sandálias combinando com a bolsa, feliz e sorridente.
Entreguei ao mesário em pé o título de eleitor. Ele, olhos arregalados, virou-se para os outros dois e baixinho gritou:
— Chegou a dona encrenca. O primeiro sentado fez uns quatros nãos com a cabeça e o bem atrás levantou-se um pouco para ver quem era e, tendo confirmado, caiu sentado.
Acho que no primeiro turno eleitoral fiz leve desordem esquecendo em quem iria votar. Quer dizer, em quem não, o número de quem! Se bem que não cheguei a usar mais de duas vezes os cinco minutos que penso podem até ser usados.
Fui quase rápida.
Não acreditaram em minha filha quando ela disse que eu tinha esquecido o número dos candidatos à prefeitura. Acharam que era propaganda eleitoral e coisa e tal e ela levou algum tempo convencendo os fiscais que sou razoavelmente confusa. Os homens de lá de fora que seguraram a filha. Eu fiquei parada esperando. Verdade que rindo da minha própria confusão, segurando as duas que queriam votar logo e suportando os olhares da fila que crescia razoavelmente.
Senti-me quase chapeuzinha dos cabelos ruivos sendo colidida de frente pelos olhares dos 3 lobo-mesários que maus não eram; três guris, antes dos trinta, suportando bravamente uma mãe de quase 48 e suas duas gurias.
Porque em toda eleição, de outubro a quase novembro, invariavelmente descobrem que aos trêzimos dias, ficarei mais velha.
Era bom quando os votos eram manuais e as filas quilométricas. Geralmente grávida, não ficava na fila nem para esquentar lugar e uma vez conferido que eu era eu mesma, descobriam o aniversário, hoje em dia perto e antigamente, alguns poucos dias antes. Saía com pirulito, brindes e bolachas, sempre.
Mas hoje a casa dos lobos-mesários parecia estar verdadeiramente má. Correndo o risco de crime eleitoral, e para não ser repreendida por uma bronca futura, virei de lado e disse às filhas que hoje estava com a cola na mão. Só dois os candidatos... se esqueço, me sentiria completa desmiolada.
E para que não restasse dúvida alguma já escolhi quem apertaria os números e quem daria o de acordo. Não falei diretamente ao lobos, mas estes, como bons canis lupus, escutaram e se aquietaram comigo.
E a mim restava votar, somente.
E votamos. Sonoramente. Porque depois da escolha e do voto, Lulu me pergunta se pode votar de novo pra ver como era o som da tecla vermelhinha.
Empurrei rapidinho a filha cabine afora. Mamali, a outra, mais afoita, diz que eu não me preocupasse que ela assina no meu lugar. Pressentindo o perigo, a mãe acode a cria e os lobos levantam as orelhas. Não sendo nenhuma ocorrência grave, a própria mãe assina seu próprio nome e sai, suspirando, do recinto das liberdades democráticas bem exercitadas pela família, no domingo meio ensolarado.
Livres dos ferozes lobos fomos ao clube fazer o almoço dominical de mãe, filhas, adendo de amigas, e um único moço, o gentil quase futuro genro, atual namorado da filha mais velha.
... e que tem aliança de compromisso, reclama e avisa a filha, dona da aliança, e a mãe, obediente, escreve aqui.
Churrasco chegando e tive uma visão etílica nos vizinhos. A nítida certeza de ver cervejas nas outras mesas. E a necessária explicação às filhas e ao genro que nós não beberíamos hoje porque reza a lei que dia de eleição são proibidas as bebidas alcoólicas e se a lei assim o diz, assim deve ser feito.
Obrigação feita, lobos dês-açulados, o domingo chama feriados.
Dias de todos, dias de santos, dias de mortos, dias de todos.
Os votantes que descansem.

Ou comente aqui:

quinta-feira, outubro 28, 2004

Penugens


Sim, uma recordação para que ele, dela, nunca se esquecesse. Mas que fosse pequena e entrasse ali e aqui. E foi assim que Mina cortou um cacho de seus ruivos cabelos.
Com carinho colou fio a fio na fita roxa, a mesma que chegara ontem embrulhando as violetas, de cores brancas, claras e avermelhadas.
Silenciosa, abriu o medalhão e bem no centro, enrodilhou seu amor feito madeixas e fechou selando a sensação de ser eterna.
Mina era feliz com seus cachos, seu maior tesouro em terra de cabelos curtos e lisos.
Alfredo, irritadiço e intempestivo, dias depois, ao ver que caía do medalhão um ruivo cabelo de um só cacho, apanhou do ferro e alisou aquilo que lhe incomodava o olhar.
Mina, pontada certeira, desfaleceu.
Alfredo continuou alisando todos os fios.
Mina agoniou sem saber a causa de sua morte.
Sem cachos deixou de sentir, sem cachos não se encontrava em nada.
E não se achou.

Ou comente aqui:

terça-feira, outubro 26, 2004

Ninguém Sabe


Pensei que sabia quem eu era
Esqueci que sabe de mim, só você.
E o que sabes, não mais sou eu.
E o que sinto, não mais é de você.
Esqueci que lembrando, gravaria em você.
E porque me guardas, esqueço que sou e só sei o que sabias.
Saber não carece, sentir já não sinto.

Ou comente aqui:

quinta-feira, outubro 21, 2004

Memento

Por enquanto, a véspera. E penso por que aguardo. Por depois alguma tardança, espero.
Na certeza de não saber, abdico e fico sem.
Agora, próxima a hora, almejo que chegue instrucionada. Falta de conhecimento específico é improdutiva.
Na verdade adoraria um desfalecimento precoce, insônia ao meio dia. E furto-me à realidade atirando papéis ao chão, fazendo chutes e batendo gritos. Cama e pé machucados. E a ordem, tal e qual. Só eu, desvairada e um pé a manquitolar. Enfim, o trabalho de arrumar minha desordem interna, agora externa.
Do último faniquito herdei uma pneumonia. Sem saber me conter saí debaixo de chuva forte. A chuva não maltrata, mas roupa no corpo, que seca e molha, regada a vinho, que fermenta e esquece, fazem febre ou fazem tosse e amanheço piorada.
Não sei mais administrar dúvidas. E das desconfianças, ou digo ou não, me perco em recusas.
As tensões bem femininas, como Tempo Para Melhorar, há muito foram resolvidas. Filhos, noras, genros e adolescências quase me fizeram juras: nascer estéril de carinho materno... na próxima encarnação. Se conseguir mais alguma.
Os amigos, sim, quero-os. Mas em horas que não essas, pois fico maleducada, malcuidada e malumorada.
Amantes ou enamorados — Mantenham distância! Lembrem-se que sou brava. Quando? Nem eu sei. Mas devo ser, espero estar, necessito fazer impetuosas rudezas.
Nada me segura nessa irritação, que descobri bem insistida.
Livros, de boa ajuda ou de más letras, desdenho. Os olhos não estão a me permitir leitura alguma.
Somente uma história garantida. Não, não de amores. Alguma de dar certo, de resolver canseiras e vida. Nada de afetos eternos, nem enquanto dure o infinito. Isso desdenho ter.
Um auto clean interno seria maravilhoso. Se pelo menos soubesse o que deveria ser limpo...
Quem sabe um, quem sabe nenhum, quem sabe alívio?
Quem sabe vida de mãe, quem sabe lista de domingos?
Quem sabe as novidades, quem sabe se eu soubesse...
Quem sabe saberia... pensar no que escrever

Ou comente aqui:

domingo, outubro 17, 2004

Cogito de banalidades

Sentar na janela, esperar o céu constelar e, sentir saudades.
Caminhar pelas paredes e não evitar as janelas.
Olhar olhos de passado, assombrado de arestas.
Lastimar sons para ouvir, sons de jamais falar.
Teimar em não saber, quando atinar até que poderia.
Alcançar intolerantes e dispersas ranhetices.
Resguardar ontens que pressentem e aninham soledades.
Deplorar tempo e outras possibilidades, minhas parvoíces.
Naufragar letras que me olham com olhos de desdém.
Possibilitar infinidades cruzadas.
Mandar-me cartas, repletas de sobrescritos.
Penso, enfim, o que queria pensar.
Incompleta constância, se calhar...


Ou comente aqui:

quinta-feira, outubro 14, 2004

Novas invenções, antigos inventários

Às vezes estar certa não resolve e para quem é de índole atípica, nada chega a ter gravidade. E, por assim ser, minhas convicções nunca foram lá de muita precisão. Uso e abuso, operariamente, porque sou, piùma al vento, porque La donna è móbile, porque Muta d'accento e di pensiero...
Verdi que me desculpe, se o quiser.
Encravei-me na sedução das letras. Não porque escreva mas porque geralmente por elas me deixo levar.
Contemplar conversas escritas? Ah, não sei... Não sei ser segunda em plena quarta, não sei ficar sem escrever e também não sei receber elogios. Vergonhosamente, enrubesço.
Perdoar, sei. Aceito inspirações e inspiradores. Fascinada, me deixo seduzir, até quanto a concordância me mete medo.
Preciso lembrar que sou esquecida? Que nervosa, falo demais e quando falante, solto bestices a todos os ventos? E preciso reiterar que não sou brava e sim decidida. E jamais ansiosa, quem sabe um pouco imediatista, bem pouco, bem pouquinho...
Sei rir como ninguém. Atenciosa, adoro minhas filhas. Sensível, amo os amigos. Desligada, troco as memórias, desatenta, confunsiono tudo.
Larguei de tocar piano. Estanquei as percussões e hoje batuco na cozinha. Mas tenho o vezo de jamais viver sem música. Swingada, ando na bossa do jazz.
Sou defeituosa, nas administrações, todas e gerais. Choro quase à toa e no mais...
Diacho... como pude esquecer o que ia escrever?

Ou comente aqui:

segunda-feira, outubro 11, 2004

Ainda noite

Ainda noite cheguei. Cansada. E a fadiga falhou-me na lembrança. Creio ter dormitado esperando o telefone tocar. Sonhei, ou acordei, e sem saber o preciso da hora. te liguei.
A tua voz fez a mim ruídos moucos e eu a você, falas poucas.
Estavas a dormir. Senti teu cansaço. Devia te voltar à cama, mas a minha vontade era tanta que me fiz da outra e fui encantando teu sono até que ele, insone, despertasse.
E tu, em quase.
Persisti e tua voz me roçou os sentidos. Quisera estar a teu lado.
Poucos os sons, para nada adiantam, continuas a dormir ainda que queira me dizer algo. E diz.
— Me liga amanhã?
Vontade não tenho. Quero te ouvir agora E porque sou má pergunto do que te cativa. Letras, palavras e digo que estou me enamorar-me de ti.
E tu replicas licenciosos silêncios.
Libertina, suspiro. Tolerante, resmungas. Escancarada, reitero. Sistemático... roncas.
Ainda amanhã... ligarei.

Ou comente aqui:

sábado, outubro 09, 2004

A Rita levou...

Se tem coisa que dificilmente acontece comigo, é ficar sem graça. Sou risonha e moleca, de bem com a vida. Esquecida e confusa são predicados que vivo me dando, claro, para que todos certifiquem-se da doidivanas que sou. Algo como se falando pudesse ser desculpada das minhas eternas cincadas. Que acontecem aos borbotões
No enterro da tia Odetinha, me acreditem, perguntei pela própria. E na missa perguntei à filha onde estava a mãe. Enterrada a uma semana foi a resposta que recebi. E chamei a prima de bocuda.
Óbvio que não me convidam mais para os deliciosos chás das cinco, que nesta família são feitos às 3 da tarde.
Outro dia, aniversário de meu pai, cheguei ao primo-irmão, que não via há mais de três anos,e perguntei da esposa, mas, inadvertidamente, usei o nome da amante. Bem que reparei que a esposa virou as costas.
Oras.. não me contem segredos. Confundo-os todos.
Mesmo assim nunca perdi o rebolado. Nunca até hoje.
Rita, prima e amiga eventual é da ala rica da família. Ela sim, pirada de dar dó, me chamou para fazer shopping. Fui. Gosto de sair com ela.
– Ta apaixonada, prima, tá?
– Eu? Sempre estou. Mas por que pergunta, hein, prima? Nos chamamos de primas porque nossos nomes foram trocados. Ela era para ter o nome da minha avó, Maria e eu o da avó dela, Rita. Mas como nasci um dia antes, herdei este privilégio. Para evitar os chiliques que ela tem quando falam da troca, quando juntas, não mencionamos nossos nomes. Nos tratamos por prima e prima, somente.
– Tá muito quieta, hoje – continuei.
– É? Oras, não sei por que... quem sabe deva ficar apaixonada? Pelo seu queridinho, o que acha? Seriamos eternas rivais.
Ri da besteira e continuamos conversando. Ela guiando e eu sentada, meio de lado, olhando mais para ela que para a rua. Ela é péssima motorista. Adoro guiar olhando para todos os lados. Menos para a frente.
Num sinal, na maior, ela me diz:
– Ô prima, segura aqui pra mim, e soltando as duas mãos do volante, entrou com a primeira e saiu acelerando o carro. Eu, desesperada, fui segurando a direção, mais branca que folha de impressora, enquanto a louca da prima mexia nas costas e depois, braço por dentro da manga da camisa, começou a puxar... o sutiã, primeiro pelo braço direito, uma alça, depois a outra pelo braço esquerdo e finalmente, pelo decote, puxou a peça rendada, radiante de tão vermelha.
– Pronto, prima, pode deixar que agora eu guio.
Eu, sem fala.
– Prima! Como pôde?!? Tirar o sutiã assim, na rua, na frente dos outros? Tá louca?
– Que na frente dos outros que nada, tirei só na sua frente, prima.
– É, mas com a janela aberta, sua doida.
– Ué, claro, com este calorão acha que eu ia andar com a janela fechada? E depois o sutiã tava me irritando.
Falou já melindrada.
Fiquei quieta. A prima tende a ser meio estúpida, histérica, e o que eu não queria era presenciar um daqueles geniais ataques de geniosidade da dona Rita.
No estacionamento, Rita saiu do carro se saracoteando, empurrando a saia pra baixo. Me deixou tão assustada que sai berrando com ela:
– Prima, pára com isso. Vai tirar a saia também?
– Acha que sou louca? Estou tirando uma pedra do meu sapato. Tenha calma, dona Maria, ou a senhora fica velha antes da hora.
E com a sobrancelha arqueada me olhava arrevesada.
Fiquei quase histérica de tão calma. Melhor não provocar a prima.
E fomos. Passeando e fazendo compras. Eu, falando praticamente sozinha de tão agoniada das doidices da prima Rita, e ela andando mansamente, rebolando, como sempre faz. Até que parou na minha frente e ainda de costas para mim deu outra daquelas gingadas. Aquela do estacionamento. Quase rezando, pensei em não ligar, e me repeti muitas vezes — não vou ligar e continuei andando, vendo, mas sem enxergar. Firme, tracei uma reta em pensamento e fui seguindo. Bem atrás da prima.
Mas a prima tinha mesmo parado.
Estarrecida entendi o que estava acontecendo. ELA ESTAVA TIRANDO A CALCINHA. A prima, ela mesma, estava incomodada e ela não agüenta incômodos então... ela se livra deles, sempre.
Mas não ali, no meio do shopping, cheio de gente indo e vindo. Mas ela o fez e como fez. Tirou mesmo a calcinha.
Fiquei parada, bestificada, colada no chão. Colada não, que continuei andando sem perceber, sem pensar e grasnando, ou gaguejando, resmungando até.
– Prima, prima, pelo amor de deus, Rita... Como você... como você...
Branca, eu estava vermelha, rosada, multicor de tão espantada com o que ela estava fazendo, com a ousadia da prima. Aí ela virou-se e disse, cara de espantada e com a mão cobrindo a boca.
– Maria, minha prima.

Parei. Aliás, parei bem em cima da calcinha da prima.
– Prima, disse ela sorrindo, tua calcinha acaba de cair no chão!
E o segurança me olhou perguntando. empurrando com o pé se aquele afrontoso vermelho amarfanhado no chão, me olhou perguntando se era meu...

Ou comente aqui:

quarta-feira, outubro 06, 2004

terça, 5 de outubro

Não, o trânsito não consegue me impedir. A hora passa e a tarde, estranhamente fria, mostra que a primavera ainda titubeia. Quase depois do tempo e confirmo, desnecessariamente, que chegarei atrasada.
Horas faltam, precisamente quatro, para chegar depois da hora, mas, como hoje me propus a estar atrasada, preciso chegar, desde já, consciente do atraso.
O horário roda, tal qual trânsito, trânsito paulistano. Abre, fecha e nada muda. Parado, quase tudo acontece. Caótico, vai comendo pedaços da hora que como casa velha, se deixa esvair.
Por fora não vou ressabiar, assim penso. Ou acho.
Manifesta-se a cabeça, quase enxaquecosa. Na bolsa um comprimido qualquer que tomo a seco.
Ainda estou adiantada para meu atraso. E os carros movimentam-se. Terei que ir.
Pena saber o endereço. Pena saber o lugar. Pena até saber como chegar no encontro marcado. Se mais me atraso, adiantada terei que ficar.
Não há mais como ter tempo. Meu melhor atraso é não ir.
E temerosa fui, protelada, ao encontro desmarcado.
Não cheguei a chegar.
Estava adiantada.
O dia era o seguinte.

Ou comente aqui:

sábado, outubro 02, 2004


Talvez você não exista, talvez. Quem sabe ocasional, quem sabe tênue.
Só espero que me convides a jantar por um casual – Tenho fome! De quem ou de que, descobriremos em conversas.
Talvez pense, talvez não.
Sonhar não garanto. Aviso que sei chegar e sei partir. Faço anarquia de todas as palavras e tenho em mim o sentir das introspecções.
Talvez tenha vida, talvez faça projetos.
Sapecar não carece, encantar não convence. Adoço a voz, se quiseres, mas minha conquista, bem o sabes, é de atiçar o papel e papel afogueado, afogado está.
Talvez o momento, talvez. Quem sabe sedução, quem sabe ousadia.
Rompantes não tenho. Objetiva jamais serei. E no entanto me sei decidida, direta e pouco concreta. Racional até sem sorte, negarei.
Talvez chegue, talvez ande. Menina, moleca, na seda o suave, no olhar um jogo, gingado vestido, simples e seduta.
Confusa digo que sou. Se sou velha,também não sei. Sou de muitas mortes. E quando as fiz, gostei. Rabisco letras, pinto desejos, calculo saber da vida e sei que do nada, nada sei.
Talvez seja artista, talvez, não sei, mera letrista.
Sediciosa, de úmidos beijos, sem juízo, sem ausência.
Quero-te aqui, quero presente
Venha que te garanto não amar, te garanto todo desamor.
Mas se me quiseres, isso importa?
E quando tu chegares... saberei.

Ou comente aqui: