Ainda noite
Ainda noite cheguei. Cansada. E a fadiga falhou-me na lembrança. Creio ter dormitado esperando o telefone tocar. Sonhei, ou acordei, e sem saber o preciso da hora. te liguei.
A tua voz fez a mim ruídos moucos e eu a você, falas poucas.
Estavas a dormir. Senti teu cansaço. Devia te voltar à cama, mas a minha vontade era tanta que me fiz da outra e fui encantando teu sono até que ele, insone, despertasse.
E tu, em quase.
Persisti e tua voz me roçou os sentidos. Quisera estar a teu lado.
Poucos os sons, para nada adiantam, continuas a dormir ainda que queira me dizer algo. E diz.
— Me liga amanhã?
Vontade não tenho. Quero te ouvir agora E porque sou má pergunto do que te cativa. Letras, palavras e digo que estou me enamorar-me de ti.
E tu replicas licenciosos silêncios.
Libertina, suspiro. Tolerante, resmungas. Escancarada, reitero. Sistemático... roncas.
Ainda amanhã... ligarei.
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