terça, 5 de outubro
Não, o trânsito não consegue me impedir. A hora passa e a tarde, estranhamente fria, mostra que a primavera ainda titubeia. Quase depois do tempo e confirmo, desnecessariamente, que chegarei atrasada.
Horas faltam, precisamente quatro, para chegar depois da hora, mas, como hoje me propus a estar atrasada, preciso chegar, desde já, consciente do atraso.
O horário roda, tal qual trânsito, trânsito paulistano. Abre, fecha e nada muda. Parado, quase tudo acontece. Caótico, vai comendo pedaços da hora que como casa velha, se deixa esvair.
Por fora não vou ressabiar, assim penso. Ou acho.
Manifesta-se a cabeça, quase enxaquecosa. Na bolsa um comprimido qualquer que tomo a seco.
Ainda estou adiantada para meu atraso. E os carros movimentam-se. Terei que ir.
Pena saber o endereço. Pena saber o lugar. Pena até saber como chegar no encontro marcado. Se mais me atraso, adiantada terei que ficar.
Não há mais como ter tempo. Meu melhor atraso é não ir.
E temerosa fui, protelada, ao encontro desmarcado.
Não cheguei a chegar.
Estava adiantada.
O dia era o seguinte.
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