sexta-feira, novembro 19, 2004

Maduras Adolescências.

dedicado a quem bem me sabe

São suaves os encantos maduros.
Tão suaves como a paciência infantil e a impetuosidade adolescente. Sendo namorada e, madura, deveria saber seduzir.
E não sei.
Em teus olhos recolho histórias, passagens, marcas sem tempo e empenhos. Guardo nossos antigos outros como passageiros, descansadas memórias. E ainda é por eles que, vampira, vou nutrida de você. Pinço frases e arremesso ao léu, estico palavras em varais, uso dos lápis só os tocos. Novas retóricas.
Tento. Impossível. Não sei fascinar.
Faço inventário para ser gostada.
Sem afinação canto Ave Maria e gosto de óperas fora do chuveiro. Dos gemidos prefiro os libidinosos, gosto em demasia e claudico só para dizer te amo. Tenho o beijo despudorado, boca borrada em vermelho batom. Desfaço roupas quando a ânsia rege a vontade mas sou imprevisível quando tenho fome.
Se chove, faço sauna. Nunca navego quando preciso e colho gerânios na janela.
Se te encontro desordeno os sentimentos, acalanto mocidades.
Mas seduzir é que não sei. Sou impaciente e ansiosa, troco as falas, esqueço e confusiono, desarvorada invento eufemismos, me digo decidida e imediatista.
Despredicados?
Jamais!
À subida, tonalizo nossos inexistentes bemóis, lúdicos, lúbricos, luxuriosos. E se te encontrar, peço a cuca pra dormir, acalantarei dormes e deitarei a rama pelo chão. Batatinha, batatinha...
Advogo intempestiva meu nosso, ainda eu, quase talvez.
E sei que és poeta, das garatujas e dos silêncios não dormidos, dos relentos bordados, das frases vagalume.
Sensato outonar dos orvalhos consentidos e vapores de dois.
Disciplinada, não. E de pouco obedecer. Arrelio tua boca, toco os lábios nas florestas e saracoteio concedendo. Aderente, vou até que canses, exsudado. Libidinosas conjunções.
Feitiços raros, madura a sorte que nos encontrou.
Inconseqüentes todas as escolhas.



8 Comments:

Blogger Caçador de Placas said...

Poesia!
Pura poesia...
Como você consegue fazer poesia em prosa?
Precisa me ensinar. Cachorro velho aprende alguns truques novos, sim, se a professora for das boas, como você!

5:49 PM  
Anonymous Anônimo said...

Beleza pura.

1:08 PM  
Blogger rajodoas said...

Olá Maria grato pelo comentário que deixaste no meu blog
mas quanto ao significado de aldrabão é exatamente igual
ao de mentiroso. Beijinhos do Raul

4:32 PM  
Anonymous Anônimo said...

Maria, agora é que vi que o meu comentário de ontem saiu como "anônimo", desculpe e repito: Beleza pura, não consigo ficar sem comentar ao ler tanta poesia. Parabéns. Um beijinho. Auricélia.

10:34 AM  
Anonymous Anônimo said...

q belo texto, mariA...MEU BJO. CAL

8:55 PM  
Anonymous Anônimo said...

Tomei vergonha na cara e vim te fazer uma visita...adorei...como é que eu não te lia antes...
beijos de ótima semana.
Seu poema? demonstra esta força em viver...
ah, irei te linkar tem algum problema? Não né...
Um beijão imenso
Tânia...

3:56 PM  
Blogger Manoel Carlos said...

Você retomou, com vigor, o estilo que, inapropriadamente, chama de digressivo.
Inapropriada designação, pois não carece de objetividade.
Você faz volteios como uma bordadeira.
Ao fim, todos os pontos unidos, a peça fica completa.

Eu soube que o seu aniversário reuniu parte da blogosfera, inclusive carioca.

9:39 AM  
Anonymous Anônimo said...

Maria, há quanto tempo não vinha acompanhar tuas digressões poéticas! Saudade desses belos posts ;) Um beijo, Adelaide

1:52 PM  

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