A medida da fama.
Efêmero, alguém disse ou alguém escreveu, são as famosidades.
Como todos, tive direito aos meus quinze minutos de fama. Minha Linda Maria, minha moça que colecionava cinema foi lida e argumentada durante curta oficina de João Silvério Trevisan nos Encontros de Interrogação, do Itaú Cultural.
A malandragem foi entrar como qualquer dos inscritos – se bem que Joãozinho me dissesse que de vestido e saltos altos (malditos saltos altíssimos) não estaria disfarçada, nem no meio do povo, ao que retruquei dizendo que quando é meu o dia de fama, gosto de estar deslumbrante.
Pouco se importaram comigo, afinal João era a estrela da festa.
João fez exercício, explicou coisas e depois me leu. O difícil, juro, foi não poder rir. A crítica gosto de ouvir e só me maltrata a que confunde criatura com criador, que é claro, fizeram, mas poucos a bem dizer. E ser enfocada em novos lugares, lida em olhos estranhos, bocas que nunca me viram, com prós e contras veementes, fizeram da minha uma boa tarde.
Primeira vez de um texto lido ao vivo e em viva platéia. Não foram unânimes as opiniões. As melhores foram a do moço a meu lado que criticou até o que o texto não tinha. Mas incisivo, firme, até que soube que era eu a dona das letras e rapidamente murmurou desculpas, desculpas, tão rápidas e sentidas que saiu rapidinho da sala. Claudinei, preciso em seu conhecimento, acabou sendo meu rápido entrevistador, para o site Capitu, e a veemente Regina, a quem penso contratar como defensora de todas as minhas letras, quase me matou quando perguntei se o texto se sustentava mesmo para quem não goste tanto de cinema.
E surpresas boas, comuns nomes para vocês, mas para mim fãs. Que não são amigos, nem conhecidos e nem colegas. Novos e maravilhosos fãs. Eugênia, Regina e seu marido, a quem fiquei devendo lembrar o nome e um autógrafo, aliás, o primeiro de minha curta vida de famosa escritora de 15 minutos.
E eu que me dei o tempo para ser pouco fiquei num enorme conversê de, tudo e quase nada, vendo pessoas que gosto, leio e nem acreditava conhecer um dia.
E por fim sair.
Retornar à noite, algo escura, azul de alto céu, meio ao movimento das ruas.
Avenida atormentada de carros, gentes e voltas. E, sozinha, atravessar toda fronteira entre os livros e a vida.
Diante, realidade que vivo, e, por fundo, a que aprecio, e este entremeio que não é de solidão mas sim, o estar só. Paredes altas, darkness e vagarosas – como eu a andar com estes malditos saltos – enfrentando minha última fronteira. Tempo de guardar o que me foi bom, tempo de ser famosa e o tempo de me ver e voltar.
E amar o tido e o perdido. Meu tempo de ser escritora.
Administrar este corredor é que me coloca em algum modo de saber.
Maria Odila, aqui uma digressiva maria.
Em tempo o texto está completo no artigo de Claudinei, quando virei escritora.
4 Comments:
Parabéns! Parabéns!
A oficina, como geralmente acontece, deve ter sido gravada.
Caso tenha sido, seria muito bom você revê-la.
As críticas devem ser ouvidas, mesmo que desprezadas se impertinentes, inconsistentes, etc.
Sem contar que é um documento.
Quando você estiver famosa, ainda terá valor sentimental de ser a primeira leitura pública de sua obra.
Com que então, foi um sucesso!
Parabéns, parabéns, mesmo.
E não pense que desisti daquele autógrafo especial, você sabe onde... Pode até ser verde!...
Beijo.
Olha que delícia! Eu agora consigo te ler e comentar numa boa! Nada como chegar perto de uma celebridade,né? rs... Eu adoro este seu humor irônico!!! Mas antes, parabéns!! E vc sabe que é de verdade. Faz um tempão que te leio caladinha, só cheia de admiração. Pena a gent emorar num país onde a fama dos vivos é efêmera! Vc merece a eternização dela. E vou lá correndo ler, claro! Beijocas de fã confessa!
Ah...que orgulho Sra. escritora....fui lá ler...
beijão...
Tâ
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