quarta-feira, novembro 10, 2004

Releituras I

Não foi possível não fazer. Abriu-se para a noite e contra todas as proibições, quis o vento em seu peito. E o vento enamorando a visitante noturna, veio.
Se soubesse fumar, fumaria. Aquela luz merecia todas as fumaças. Soubesse chorar, choraria mais. Fez o que de melhor tinha. Tussiu sua dor como se fosse lobo, como se fosse uivo. E o peito cheio cedeu a seus reclamos, doeu a não mais agüentar.
Incensou-se do perfume nauseante e na beirada da cama, desmilingüiu-se.
A corrente refrescada retirou dos ossos o peso. Fechou pálpebras, cruzou as mãos e suspirou. Queria um momento mais afora. Queria saber em quanto tempo o tempo se perde.
E fez, e foi e pré-sentiu.
Amanheceu tísica das vontades. Fechou a janela e retornou ao que nunca tinha sido seu.
Aplaudida, á noite, fez sua melhor Margueritte.

8 Comments:

Blogger A. Narciso said...

Bem, as tuas palavras estão de cortar a resperição. Parabéns Maria. Este é daqueles escritos que tocam bem fundo.
Beijinhos e bom S. Martinho
*A

7:26 AM  
Blogger ViaOral said...

Mariaquerida,
Que deleite ler esse conjunto de sentimentos em palavras; v. continua fantástica e surpreendente, e a veia crítica é de uma acidez de laranja-lima: não precisa ser corrosiva para fazer efeito. Lindos textos, delícia de eleição, e o sentimento, sempre à flor-da-pele.
Muitos beijos.
Thimóteo

7:41 AM  
Anonymous Anônimo said...

Maria, respondendo aos seus e-mails (obrigada por se preocupar, tá?): obrigada pelo convite para a festa, mas infelizente não posso comparecer; quanto aos blogs, não há como entrar neles mais porque eles já não mais existem. Obrigada por tudo, pelo carinho e pelo apoio. Em tempo: seu texto merece mil reverências e a admiro muito pelo talento de escritora ímpar, desde a primeira vez que a li. Fique com Beus. Abraços da Auricélia.(se eu voltar a ter outros blogs, te aviso)

8:36 AM  
Anonymous Anônimo said...

Corrigindo: Fique com Deus.
Auri.

8:42 AM  
Blogger Manoel Carlos said...

Imagino a que sabe esta Margueritte.

2:39 PM  
Blogger Caçador de Placas said...

Dá um golinho?
Quem sabe se você preparar um segundo a gente não chega a um acordo?
Hum? Hum?

12:21 AM  
Blogger Ernesto Diniz said...

Se soubesse morrer, morreria, num espasmo rápido nascendo brotos de flores por seus dedos que não tocaria mais em nada. Apenas agora o movimento silencioso de floresta e pensamento. Agora queimaria no seu peito a fogueira. Morreria e viveria de novo, como a imagem pueril de fênix que conhecia.

10:34 AM  
Anonymous Anônimo said...

Maria
é a Margueritte aquela lá? A Gautier? A Dama das Camélias?
Beijos e reverências da Berthe Bovary.

9:10 AM  

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