sexta-feira, dezembro 31, 2004

Votos e desejos

Que neste ano vocês tenham...
Contas, muitas contas. De mais, de menos, contas de sentir, contas de chorar pra gente saber dar conta sem contar de entender.
Amigos que aceitem choro e bico.
Aniversários que mudem de dia , de festa e de presente.
Letras que queiram dedos, papéis e histórias perdidas.
Dias que precisem de sono, de sol e de chuva.
Duvidas que jamais desapareçam, aspirações atendidas, vontades daqui, dali, de ontem e de nunca.
Espaço antigo para amores novos, amores antigos para novos espaços.
Olhos pasmados, olhos de lua, olhos de Capitu, olhares oblíquos, olhares de vento.
E porque todo novo sempre guarda um velho, faça bagunça, ordene o caos. Dê o cano sempre que quiser e crie, invente desculpas. Quem ama inventa, já dizia Quintana.
Mesmo que pareça loucura, agarre suas felicidades, não se esqueça - elas são momentâneas.
Não se lembre de chorar. Emburre sempre que puder, abra seu coração aos sorrisos e sorrindo enterre, crie e plante.
Esqueça as lembranças, guarde o que vai vir, fantasie seus sonhos.
E adote. Uma expectativa, um enfim, um aliás. Adote um novo filho, crie os antigos, embale os que se foram..
Que os dias sejam de nuncas, talvez aos montes e que todas as certezas permaneçam duvidosas.
E por pedido faço um só: que a natureza compreenda nossos destemperos
E no mais, desejo a vocês...
Um ano cheio de contradições


Maria Odila

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sábado, dezembro 25, 2004

Ainda que atrasado... Feliz Natal

Estes foram dias difíceis, dias de cansar, dias tristes. Doenças em família e o falecimentos de minha sogra. Conturbados porque também ficamos sem linha telefonica.
Desculpem a ausêncisa prolongada.
Segue a curta mensagem de Natal deste ano9
beijos
Maria Odila


Adoro Papai Noel. E faço piruetas para as meninas cresceram acreditando também.
Não com presentes mas sim contando a elas lembranças, marotas ou molecas, pequenas, felizes e tristes às vezes. Cantando e dançando carinhos. E gritos. Sem os gritos não seria eu a mãe delas... rs.
E mesmo quando os tempos são conturbados ou difíceis, ainda assim nos damos presentes.
Este ano, em Novembro, fizemos um dia de cabular obrigações e fomos as quatro nascer, fazer Natal, só viver de fazer felicidade, um dia par andar de metro, passear pelo centro de São Paulo, comer sanduba ali na esquina e dia de tomar sorvete até a barriga ficar dolorida e a gente ter que deitar na grama pra ver nuvens. Foi assim um dos nossos Natais.
Hoje rezamos. É aniversário de outra criança que nunca cresce mas que também morre rápido, antes de ser quarentão, mas aí é outra história que nunca contam no Natal...
Por isso benditos esses frutos que são os amigos em nossas vidas.
Hosana
Gloria in Excelsis Deo
Em nossos corações

Maria Odila, Maria Ester, Maria Amália e Maria Roberta

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quinta-feira, dezembro 09, 2004

Incertezas

Calhou de perguntar. E a resposta, usual como de quebra, fugiu. Não era amor, dores tenho que bastem e, certeza de nada querer, também. Algo que assaz sombrio e pouco prudente, assentou rente a mim.
Pensei em erros, desdouros. Nada.
Insegurança e culpas? Menos que isso.
Perfumes, sapatos, bolsas, um leve quê de Imelda, mas será que recordam das quantidades? Afinal, para sapatos, escolho os vermelhos.
Mas nem era essa a agonia. Se agonia fosse. As horas que custavam a passar aparentavam realidade. De porquês nem imagináveis.
Concessão? Ouvi hoje que um quiabo frito nada mais é que um quiabo. Compreendo, com razoáveis ignorâncias.
Nada que a chuva lave, nada que o tempo carregue. Crenças? Pouco crível. Hipotética, em tudo levo. Possibilidades? Jamais.
Tanto penso que tanto faço, me canso. Mesmo o lugar, de tudo e pouco nada, vim por vir.
E a aflição, reparadora, lacera.
Não creio que não entendesse, a plenitude quase etária.
Calores e Joanas que se acabam em fogos. Era a idade, a idade.
E a pergunta, refeita, recebeu simples resposta.
— Por que quer saber? Monocórdica obstinação. À impertinência, algum silencio. Se acintes? Sonoros, que venham sonoros.
Ele não me disse nada e eu me apresentei inteira, despida e impretensa.
Fadiga, afinal.

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terça-feira, dezembro 07, 2004

Pensiero

Chegar é quase sempre em casa. Descalçar sapatos e descer das alturas dos saltos de andar o dia. Algumas vezes a casa sozinha, a maior parte do tempo povoada do sonoro das meninas, irrequietas filhas.
Hoje não dei atenção. Cansada de rua, deixei as vestes e caminhei direto ao chuveiro. Depois, vestido largo e velho, suco geladíssimo e frutas ao redor, sentei na sala de uma só poltrona e me deixei pensar.
A lua aconteceu de me vir junto. Grilos, ás vezes acontecem por aqui. Bêbados e brigas também. Janela de uma rua versátil. A esta hora da noite o movimento é quase pouco. E penso no que faço e me faz gostar.
Sentar aqui.
Com regalias, sandubas da madrugada, sorvetes e café tal qual manhã de mesa farta. E não é o comer. É ter comigo quem é de meu gosto.
Na verdade são aparatos, as coisas.
Sento, deixo no chão as sandálias, recolho e abraço as pernas, só para olhar a lua e ter dela ainda meu gosto de adolescente, quando sentava assim namorando da janela.
Imagino o tempo quando delas crescidas.
Quero da vida meu quase melhor para entregar a elas. E penso em reclamos e dias de tormento que as filhas irão ter e meu coração já hoje se condói tanto que choro hoje a dor de amanhã. Não as queria marcadas pela vida mas a vida não me pergunta e os destinos não se fazem, os seguimos tão somente.
Imagino que em algum tempo não estarei só. Imaginar, hoje, é o quanto me basta. Coração anda cansado de comuns amores.
E penso em trabalhos e crias que nem sei se terão. Em assentamentos e ressentimentos. Tão contra ando casar... preciso cuidar de não passar isso a elas.
E penso que poderia até dormir não estivesse com dor nas pernas enrodilhadas. Levanto e vou ver a casa que agora dorme, arrumar filhas, guardar esquecidos e visitar seus sonhos. De quebra rezo a cada uma e subo as cobertas feitas de infância.
Santa Maria que tudo ocorra como tiver que correr, que eu seja porto e ancoradouro das meninas e imensidão para os que gosto.
Que os anjos agora passem e rezem amém.
Que agora posso deitar e sonhar que estou sentada vendo a lua.
Lá da sala.

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quarta-feira, dezembro 01, 2004

Constatações de nada



Era uma vez um sapato onde floriam rosas carmim, branqueadas pela lua. Não a lua da madrugada e sim a lua enamorada, a eclipsada pelo sol.
Parnasiana, adoraria escrever assim.
Como não sou, quero escrever em tons de erva doce e sair à cata. E na procura descobrir que sou assistente. Assistente por acidente. Acidentalmente apaixonada, e por letras.
Gosto das palavras. Procuro-as em sentidos que só a mim servem. Herdei pequenas mãos de encontrar notas e pés que adoram massagem. Não, minto. A massagem nos pés não é herança, mas como adoro, não custa fazer com que entrem neste rol de pouco sentido.
Pensei que meu mundo havia sido defenestrado. Engano meu. Mundos não desabam, apenas mudam de perspectiva por isso agora me considero consultora.
Consultora de vazios.
Dizem que o destino, o nosso destino, vem escrito nas estrelas.
Não acreditem.
Isso seria enorme responsabilidade para aquelas que, mortas, nos mostram só luzes ou caminhos cadentes.
O destino, fado nosso, determina o criativo, e reza que as coisas são acontecíveis nas letras e que o inferno, bem... Oras, o inferno... são também os outros.
Ventura ou não, escrevendo letras, certas ou trocadas, maquinais ou quase incoerentes, o pacto se faz na urdidura, nos choros, nos desgovernos, nos perdidos e no inconseqüente de amanhã.
Como dizia Sauci — e eu agora nem lembro mais quem é Sauci... tudo serve de oportunidade para garantir a vitória. Deve ser por isso que nunca estou entre os vencedores... esqueci quem é o maledeto do sauci-autor.

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