O novo ano veio com antigas e desavisadas palavras, e como casa de pouco uso, carece de cuidados diários e por isso dei comigo a limpar desatinos.
Já um ano antigo é sempre uma porca espanada sem conserto. Não pode ser mexido e não consegue ser esquecido. Gira em falso e funciona, se quiser.
Toalhas molhadas ou gostam de chão ou são esquecidas nas camas. Pendurá-las, quase nunca. Pares de meias se desfazem no trajeto entre a lavagem e a volta a gaveta. E os lápis vivem ao léu do chão do quarto para que mães incautas exercitem seu abaixa-levanta ou, tropeçando, fazer um beija-lona filial extremamente sonoro.
Então a vida era isso. Cuidar de filhos, prover suas fomes e cuidar de crescê-los à melhor maneira.
Levei, lavei, limpei inclusive. E depois me deixei.
Sou uma mulher de poucas lágrimas.
Minhas roupas são velhas, meus cuidados se fazem poucos. E à noite imagino, ao deitar, que amanhecerão novas quartas-feiras, poucas de cinza.
Talvez, assim, o sono seja simples e sonhar a cria continue como tempo, cotidiano.
Digressiva Maria
digressões atemporais, sensibilidades, letras e o que mais vier.
5 Comments:
maria, eu achei isso tão alguma-coisa-que-não-sei-dizer-o-quê...
gostei de ter conhecido. gostei mesmo.
e olá, maria. olá.
Paradoxal como você descreve o cotidiano enfadonho de forma tão agradável.
Bom rever a ti, Maria. Diarista de boas palavras, indomesticável, mas ainda domável com um carinho certo. Não, não esqueci desta parte da minha vida, ao menos da minha vida mais recente. Desculpe o atraso da visita, mas férias são sempre possíveis e desejáveis. De volta ao frescor das boas amizades, ao mundo tangível dos escritos mais impossíveis. Beijos, Maria, muitos...
Bom te rever! Um abração! Alvaro
Maria, tenho um poeminha muito antigo, mas muito mesmo, que dizia:
Maria de cada dia
lavava roupa e paria
de dia à beira do rio
cada lençol parecia
nata coalhada da terra
Me lembrei dele, lendo teu post... :)
Um beijo,
Adelaide
www.meublog.net/adelaideamorim
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