Há mais de oito anos escrevi essa coisinha, quase boba, quase real, quase conto, quase tudo. Porque Ariane vive me dizendo que é dos que ela mais gosta e porque a tendinite anda danada, resolvi que vou correr o risco de colocar aqui, também essa antiguidade.
beijos
Maria Odila
Visitando um Sex Shop
Bem, a gente nessa vida deve fazer ou saber de tudo um pouco. Não sei bem se é esse o ditado, mas é algo parecido. Ano passado, na esteira dos enta resolvi conhecer um SEX SHOP. Com o digníssimo, é claro. Naquele local tranqüilo que é a 23 de maio, avenida pouco movimentada de SP. Pintado de roxo, letreiro em neon piscante, SEX SHOP 24 HORAS. Não queria ser aparecida mas a verdade é que fui naquele... porque não conhecia outro.
Toquei a campainha e uma linda morena abriu a porta.
— Vocês já conhecem a loja? Apesar daqueles olhares de te-mato-se-disser-que-não do dig (digníssimo) claro está que disse não conhecer. Porque sou sempre honesta. E não conhecia mesmo.
— Pois então vou mostrar e demonstrar a loja a vocês.
A moça, gentilíssima. E minha cabeça já estava na sessão besteira. Fazer demonstração, como ela havia isso, era uma coisa que eu queria saber como funcionava, aliás como, se ali era um sex shop? Mas como eu não conhecia, fui ouvindo a moça e vendo as coisas.
Nem pensei, nadica de nada.
Juro.
Ela falando, falando e vou dizer, quer dizer, serei honesta: meu queixo ia caindo... de onde diabos tinha saído tanta coisa só pra transar? Devo ter pensado alto porque ela me disse, quase brava:
— Transar, só? Não, não! Porque transar tem um sentido... e a vida... ainda poetava, a moça.
Entendam. Não menosprezo uma transa, fazer amor, afinal estava ali para isso mesmo, mas o que me deixava abismada é como tinha conseguido chegar aos 40 anos completamente virgem de sex shop. Estava era boba comigo mesma e novamente devo ter demonstrado. A moça, a bonita morena, sempre gentil, disse:
— Espere, que tenho uma coisa para você. Eu, deslumbrada com a loja nem ouvi direito o que ela disse mas como sou cordata, provavelmente devo ter respondido um hum,hum qualquer. Sou cordata e educada também. Ela veio com uma coisa gelada e colocou na minha mão.
— Já usou isso? Já usaram? A morena olhou para ele, para mim. Eram bolas. Não sei bem até hoje para o que servem, e na dúvida, perguntei ao dig.
— Conheço? Nós já usamos? Esqueci de falar que sou bem esquecida? Acho que sim...
Ele sem graça, e bravo, irritado e emburrado, coisa bem típica dele, foi indo para trás e acabou batendo num stand quase encostado na parede.
Nem vou falar nada... quer dizer, vou sim... eram, segundo eu penso... bem... ai, como vou dizer? Bem eram cópias de... não. Eram próteses... não, também não eram. Eram umas coisas assim, tá vendo? Pois é, assim, feitas de plástico, que eu acho que... bem, como eram ocas por dentro... ai, meus sais... que coisa mais difícil de explicar. Eram, na verdade vários pênis de borracha, enormes. De muitos tamanhos, largura, desenhos e coloridos. Contaram-me que se chama ciborgue, mas naquele dia eu ainda não sabia disso. Para mim eram pintos de borracha.
O caso é que batendo lá o Dig fez com que todos caíssem em cima dele. Era uma chuva de pintos nele e ele rebatendo e o negócio, que era de plástico, quicava, batia e subia e voltava para ele e ele re-rebatia aqui e ali e os pintos iam subindo e descendo.
Eu segurei a risada porque sei que ele fica muito bravo quando riem dele, mas depois... depois a moça com a mão na boca, e as outras pessoas disfarçando. E eu ri. A moça, olhos arregalados e lábios apertados, tentava ajudar tirando de cima dele os tais... ciborgues. Era muito solícita a moça e foi ajudar o Dig retirando a pintaiada de cima dele. Daí que ele me saiu com essa pergunta:
— O que é isso? Com um pintão enorme na mão. Respondi batido:
— Se não sabe o que é isso, é melhor a gente ir embora porque a visita à loja não vai valer para nada. E ri mais ainda. A moça riu também, mas como era o trabalho dela, ainda respondeu - Isso são próteses que o senhor pode usar para satisfazer melhor a sua mulher. Pra que ela foi falar aquilo? O homem, agora roxo na sua dignidade e com um daqueles negócios na mão, também roxo, foi ter um ataque. Mas quando abriu a boca não saiu palavra. Quis dar a tal da prótese que estava segurando para a moça, mas arranhou ou esfregou na mão que estava segurando... já imaginaram? Um homem com aquilo na mão, mas era um outro aquilo? Roxo? De plástico? Enormão? Tremendo na mão dele? Às vezes acho que ele teve razão em ter ficado meio bravo comigo, mas que era engraçado, era.
— Doeu, perguntei? Eu estava pensando na queda dele e dos pintos, mas a moça achou que estava falando da ralada do tal ciborgue.
— Imagina, olha só como o plástico é suave e esfregou no dorso da mão dele e depois na minha. Para não atritar temos um óleo especial, indiano, e também é ótimo para massagem. E o Dig se viu sendo massageado... na mão, é claro, segurando aquela gororoba enorme e ela mandando ele passar o óleo na gororoba. E ele bravo, fechando a mão e esquecido da coisa que estava lá dentro. Custo foi fazer o homem abrir a mão e soltar a coisa. Coisa forte, nem se abalou em ser tão amassada.
O Dig é forte pra caramba. A coisa também.
Bem, para sairmos da loja levamos o tal do óleo de massagem... o ciborgue era caro demais. E depois, ainda sou a favor do natural. Só não consigo entender porque o Dig fica bravo quando canto uma música que era do seriado que tinha um tal de Zé borgue... a associação de idéias do Dig eu nunca entendo.