quarta-feira, junho 29, 2005

Aos quase cinquenta.

Aos quase cinqüenta, o tempo me diz a vida e sinto que do todo, tudo já sei.
Criei filhos, desandei alguns, dei certo com outros. Casei, mudei, separei e porque nasci teimosa, até re-casei.
Não comento minhas idiossincrasias. Elas depõem contra mim sozinhas.
Voltei a escrever e até o trabalho é novo, como se novo fosse este viver.
E pensei que acalmava o coração. Tranqüilizada, dei-me o presente de enamorar.
Esperei que o tempo saísse, mas ele só passou. Sentei para não cansar as horas e fui vivendo. Mansa, quase vagarosa.
Ainda assim, as praxes, o inusitado.
Conversando, o instinto farejou, sentiu o primeiro. Eu? Nem custei, não cria.
Sou antiga, de impropérios sem respaldo.
Pois o homem chegou, foi ficando. Bem assim como foi, não consigo lembrar.
Aconteceu e continuou.
Sempre encontros, quase declarações. E porque beirava os quase cinqüenta, sabia que amar, não! Gostar estava de bom tamanho.
Só que vida má não acontece só a poetas.
Ele foi simples, pintando de azul as pedras do caminho e eu chutando uma, tropeçando em outras, ruminando nos prazeres. Não crendo em nada, quase nada.
De tanta desacreditância, relaxei.
Assim o moço veio, girou, acomodou-se. Diz a música que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração.
Acontece que não sou Terezinha e nem ele o primeiro ou terceiro.
Sou maria, ele josé, mais comum impossível. E era tão fácil, que nunca me preocupei. Ele por lá, eu por aqui. Ele na lida, eu na modorra. Nada mais distante.
Até entender que o tempo se fez e que o tempo de só não me basta.
Tempo de sofrer, tempo para amar.
Tanto mar, tanto a dar...
Maria Odila

21 Comments:

Blogger Ilidio Soares said...

Adoro qd vc caminha desse jeito, gosto mesmo.
beijos
Ilidio

9:39 AM  
Blogger António said...

Uma retrospectiva, um desabafo, uma confissão.
Prosa intimista mas bela, como sempre.
Jinhos

7:59 PM  
Blogger Manoel Carlos said...

Memórias afetivas numa prosa envolvente de quem tem muito pra contar e mais por viver.

8:26 AM  
Anonymous Anônimo said...

maria . deixo aqui um abraço(como se fosse uma fome)

1:46 PM  
Anonymous Anônimo said...

tantas voltas que a vida dá... e a gente vai colecionando os anos, as lembranças e todas as tentativas.
Viver é um cíclo !!!!!
Meu beijo.

10:27 PM  
Blogger Silvia Chueire said...

Sugiro levantar acampamento.Olhar a estrada que se estende à frente, entender este momento como mais um que é a sua história e desavisadamente ir andando.Outras pedras a chutar, outras bocas, outras fomes.
Mas isto, vc sabe, é tudo literatura. Fingimento puro.

Beijos,
Silvia
PS: Há ali uma frase lapidar, com neologismo e tudo :"De tanta desacreditância, relaxei". Ótima!

4:49 AM  
Anonymous Anônimo said...

Esta prosa simples de lingua descomplicada, faz de Maria, Maria.
Uma mulher que perto dos cinquenta,prova que o texto não tem idade quando sai do fundo do coração.
É sempre um prazer lamber das suas letras.!!!!!

1:20 AM  
Blogger António said...

Maria,Maria
quando pões
o blog em dia?

Jinhos

10:26 AM  
Anonymous Anônimo said...

Maria Odila, obrigada pelo carinho!! Mesmo!! Eu ando a mais preguiçosa... pode perguntar pra Ari, quantas vezes eu disse pra ela que iria voltar... e nada! rs
Ontem, eu coloquei ele no ar.. e a Dorinha perguntou: vc não vai voltar não?! Daí eu disse q já estava no ar... rs. Não estava, coloquei o endereço errado..
Se não fosse ela, tava viajando até agora... :))
Maria existem muitas, mas, com essa doçura e maneira de escrever, são poucas viu... és preciosa menina!
Obrigada pelo carinho!! Plagiando vc: muitos, muitos, muitos beijos!
Saudadezinha! :))
Me adiciona depois no seu msn, pra gente bater papo!! Bjuss

2:10 PM  
Anonymous Anônimo said...

tanto mar, odila. assim é a vida, não? bjs

2:57 PM  
Anonymous Anônimo said...

que dizer de quem se diz incapaz de poetar? pois pois.
saudades.

8:33 PM  
Blogger Blue Woman said...

Q lindo! Toda vez q passo por aqui, fico encantada. Adoro!

um beijo!

5:35 PM  
Anonymous Anônimo said...

do teu tanto mar, queria ao menos uma ondinha. amo vc, viu?

9:24 PM  
Anonymous Anônimo said...

Adorei a maturidade em todos os sentidos dos versos. Gostei do ar coloquial tb. E ficou ótima os diálogo com Chico Buarque.
Fabiana
Passe na minha página

10:30 PM  
Blogger Manoel Carlos said...

Um mês sem atualizar?
Suspenderam o seu mensalão? :0)

8:38 AM  
Anonymous Anônimo said...

MARAVILHA!!
Aproveite o tempo!
SAUDADES!!
UM BEIJO!

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