O dia que nunca...
A lua, que em Minas nunca é azul, aturde o céu, difusa.
Dizem que a lua não tem luz própria. Que engano... não sabem que a lua carrega destinos?! Leva-os, não porque queira, mas por incumbência do vento que os abriga, cioso, ora atrás das nuvens, ora trás-os-montes.
Convém a esta hora partilhar sortilégios, desalembrar de onde se partem os encontros, enumerar os silencios bissextos .
Restritivo, o dia em Minas lentamente se aquece de pretextos e passos. Olvida, sometimes.
O véu que aperta a noite, por lá carrega, cansado, minérios, mineiros, cismas e montanhas. Espreguiça em Minas seu lavor depois de escurecer o sol e esclarecer a lua.
Indistinto o dia passa, como passam pelas estradas muares, enxaquecas, sabendo que ao norte, o cristo, sempre ele.
Minas é de Gerais idiossincrasias, subterrâneos misteriosos, rios cercados em águas.
Lá estava, lá fiquei, sentei, li e reli, perdida nos dias.
Fosse o que fosse, meu ar é um Pessoa, Fernando ou Alberto. Diria José, até assim, Ricardo. Como toda saudade é um cais de pedra onde os encontros não se fazem.
Nada acontece em Minas. Nada se deixa acontecer... nas minas.
Maria Odila
15 Comments:
Retribuo a visita, e cá encontro estas belíssimas prosas. Li os dois últimos posts, mas voltarei para ler mais. Um texto tranquilo, onde está presente a contundência do tempo e a premência da arte. Tua lua é linda.
Saudações do Cárcere
Como dizem os mineiros, Minas está onde sempre esteve; mesmo para aqueles que vão lá ao encontro de si mesmos.
Nossa,vim retribuir a gentil visita e encantei-me com seu texto.
Parabens!!
Beijo grande!
Maria querida, sempre uma delícia te ler. E Minas é um lugar de cidades e pessoas muito amadas. Beijo especial e muito carinho. Adelaide (www.meublog.net/adelaideamorim)
Um dia desenhei uma lua, redonda, com cores de flores do campo num azul-quase-violeta e imaginei de que cor seria o mar, em noite de luar. Só a vela do meu navegar se mantinha branco-gaivota, e as ondas enrugavam-se num azul prata, como se Neptuno, sorrisse entre as suas barbas. Nesse dia não voltei. Queria abraçar por inteiro aquele mar, que era só meu, porque a lua, nesse dia, vestiu-se de mim…
Maria, Minas é um encanto de vales e de luas por trás dos montes e de poetas por trás das luas e de Marias a cantar tudo. Beijo.
Vim agradecer a visita e desejar os melhores sucessos. Vejo que temos um amigo comum, o Luís Ene.
em tua
casa
o mel
cavalga
na boca dos
homens cansados
Diria que um texto muito tranquilo e bonito.
Beijinhos Maria
Em alguns lugares do mundo o tempo parece não passar, assim como as pessoas...
Em alguns lugares de mim a vida corre assim, sem tempo ou relógio, pautando apenas Cecílias, Nerudas, Dalis e Adélias...
Mas há tb tantos outros !!!!!!!
Meu beijo querida. Saudades tb.
Maria Odila, mas que beleuza! Minas é um troço mágico, um poço em que o ordinário ganha poesia (os melhores escritores, os melhores músicos, pintores, escultores, bá!) e textos como este só aprofundam o poço. Quanto ao endereço donde encontrei livros bacanas a preços módicos, Sam's Club, um supermercado da rede do Wall Mart. Será que tem por aí??
Um texto bem bonito...
Bj
Lembrei-me de repente:
ROCHA
a Miguel Torga
Sopra de Espanha bom vento.
A albufeira ao fundo; mar doce.
Debaixo dos pés, até ela, infindas, as galerias;
jorra ainda, amarela, a água da mina.
Nada mais: gigantes cicatrizes de volfrâmio,
horizonte finito de fragas nuas.
Tudo o resto, infinito, se adivinha porque dito pelo Rocha.
Cara, vim deixar meu e-mail, como pediu hoje no arteiros. contosmil@uol.com.br
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