La Noche Caliente
Nada de diferente neste convite... estava na Argentina representando o Brasil e fui informada que precisaria ir a uma festa Beneficente. Festas? A d o r o então concordei.
Estava sem meu tradutor mas portunhol... quem não entende? Convite tradicional, formal. Sondei o motorista e ele me disse
- La bruja, ah la bruja...
Claro, bruxa, finados, era um haloween, logo uma festa à fantasia. Fui me certificar relendo a invitaticion
El Gobierno... tarátátá... la Casa Rosada...(como se eu não soubesse o que é a casa rosada).. invitamos la señora Odila Goulart.. tátátá... La noche caliente...nem continuei a ler
Convite padrão. Prova do meu bom portunhol é que ontem tinha saído com Juan: ele conversando em frânces e espanhol e eu em português e quase italiano. Nos saímos muito bem. Quase entendi o que ele falava a maior parte das palavras troquei... mas isso é de somenos importância. Tinha certeza que me sairia bem na festa, mesmo estando sozinha.
A festa, no dia de finados ...e dos mortos também, como dizia minha avó italiana, era hoje.
E eu, atrasada cheguei na camareira e perguntei onde poderia alugar uma roupa de festa. Ou comprar uma hacienda - como vocês não sabem ensino, hacienda é fazenda em espanhol - porque se não encontrasse a fantasia eu mesma costuraria uma.
- Una fiesta? Hacienda?
- Ahãã??! Não! uma festa... hoje...Na casa... longe. É uma missão que recebi.
- Las Missiones? Hacienda? Su novio? Ah, su padre, su madre mira que barbaro
- Que missa que nada. Sem madre. Sem padre sem novo.
- Su padre? Novio? Bodas?
- Ô meu Deus do céu. Guria vê se me entende... Una fiesta, hoje, na casa da mulher aquela lá... rosada
- La Bruja?
- Isso, isso, onde posso alugar roupa?
- Mira que bárbaro. Hoy?
Falando comigo há tanto tempo e só agora lembrou de dar um oi? Por isso que a Argentina não vai pra frente, povo mais distraído.
HO-JE TE-NHO UMA FES-TA NA...
- Entiendo, entiendo. Na Recoleta ... su ropa..
- Tendi. E lá alugo?
- Alquilo?
- Kilo? Ai meu caramba FES-TA... A-LU-GUEL... entiendes? Como estava quase berrando com a moça achei melhor ir até o Boulevard. Pateo como falam... Shopping Center, hum! nem isso eles conhecem.
Fui e voltei de táxi porque estava sem paciência para esperar o moço da embaixada chegar.
Alquilei una fantasia linda. Decidi que seria a mais bonita da festa que estaria cheia de fantasmas e caveiras.. seria a bruja sensual.
Corpete preto, e meia rendada, saia rodada, presa do lado esquerdo na cintura, mostrando bem as pernas, saltos altíssimos, decotadíssima. Uma capa preta de fazenda transaparente e para finalizar um enorme chapéu pontudo, com véu... acabei misturando as fantasias. Meio bruxa, meio fada, mas tudo em Negro.. Queria ser a melhor. The Best. Primeira e única. Afinal, representava o Brasil nesta reunião argentina.
Oito em ponto desci. Pontualmente atrasada já que a festa começava ás sete e minha idéia brilhante era chegar atrasada só para ver o frisson do pessoal daqui.
O motorista me olhou de rabo de olho... eu sabia que estava ótima.. ele resmungou quedaste loca?... não disse? estava estonteante... o motorista confirmava minha ótima idéia.
Cheguei na casa Rosada... todos me olhavando... Não pensei que estivesse assim maravilhosa. Mas os olhares masculinos, estranhos, confirmavam o meu bom gosto.
Entrei ... e entrei maus... era uma festa black-tie para los carentes e eu, uma tola, ao ler La Noche Caliente achei que fosse uma festa a fantasia e associei a bruja do motorista com a bruxa de bruxa. Como ía saber que era esse o apelido da Presidente Isabelita?!?
Porque não me avisaram? O motorista e a camareira?
Tive que permanecer a festa toda sendo “comida” pelos olhos daqueles gáuchos tarados... que ficavam me dizendo:
ó se le gusta hacier una tonteria..
uma bruja? hoy? Vienga...
pero se le gusta tomar un trago en mi habitación..
se pego aquela camareira... mato o motorista
Maria Odila