segunda-feira, outubro 31, 2005

II

Dizem que o dia finda nas tardes. Dizem, não sei.
Nas horas vespertinas ideogramo os sentidos, sentidos inexplicáveis, dissimulados e dúbios.
Nada fácil rever mistérios e deles fazer outro dia.
Lentos os regressos, antigas as felicidades.
Assim indago e pratico, descreio até. Novo dia não se pré-dispõem, não se deixa conhecer.
Dias novos almejam ser... dias novos.
Por isso acordo nos de sempre, acordo ontem.



Maria Odila

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segunda-feira, outubro 24, 2005

Continhos I

Eudóxia colecionava maçanetas. Mamãe, chaves. E por ser da família, fiquei com as portas.
Quando não tive onde guardá-las mudei para minituras pintadas e depois para quadros com portas. E finalmente passei a olhar portas. É mais prático.
Na rede, só fazia cismar. Por que portas? Nunca abri, nunca entrei, não sei qual o outro lado... Seria de alguém? Não ter resposta não me importa. Não ter as portas é como perder todos os botões de minha única blusa.
Receio, quem sabe? Melhor assim, sem camisa.

Maria Odila

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domingo, outubro 09, 2005

Meses

Janeiro

Os começos são sempre sérios, comprometidos e comprometedores. Arrumação cai bem. Usar terebentina acaba com os mofos... até aqueles d´alma.

Fevereiro

Antiga escolar agradeço... não tenho aulas, não tenho lição, meu santo dos estudantes em época de prova e reprovação, Amém. Essa parte... já cumpri.

Março

Todo março é de verão, lava-se as águas. Todo 19 quando chega, tem por santo um José. Todo italiano, se José, tem zépollos, bolinhos da devoção, às Marias.


Abril

Busca de felicidade, incerta, curta e intensa. E independente de ontens e hojes, duradoura, para o tempo que resolver resistir.


Maio

— Maio é mês de Cinderela.
— Melhor ter cuidado porque depois da meia noite ela dança.
— Tá errado cara. Depois da meia noite, vira plebéia.

Junho

Prometo nesse dia cumprir a lei. Não sei qual delas mas é bom que alguma seja assim lembrada, para ser cumprida, não necessariamente obedecida. Executada, somente.

Julho

Tralhas, roupas, memórias. Julho começa quando o semestre se renova. Não tenho o que deitar fora porque sou fora de guarda, descautelada. Fecho a porta do sábado, entro nos domingos e peço à vida que fique de fora.

Agosto

Decomposto, reposto, deposto. Fosse país e seria a guerra. Fosse gente, uma epidemia. Fosse eu, intestinas revoltas.

Setembro

Para desafeto, os desconhecidos. Para as idéias, a saudade das palavra e para mês, sempre o próximo.

Outubro


Uma sonatina deveria sempre começar em outubro. As promessas, descumpridas e os encantos mantidos. Ah Mozart... do,do, sol, sol, lá, lá, sol....

Novembro

Não quero morrer antes que consigam me matar, mas aniversários são assim, inovações d´eu com eu mesma e minhas todas eu. Algumas morrem, outras aprendem, outras ainda correm...

Dezembro

Sentimentos nunca vêm com garantia e o destino, qualquer seja ele, sempre vai a caminho do mar.


Porque os meses não precisam ir e vir, não têm pressa e nem solução. Meses são como as árvores... não há nenhuma que o vento não tenha oscilado.

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