2005
Depois de um certo dia o tempo cansa e o ano muda. Não necessariamente no primeiro dia do ano porque no primeiro de janeiro muda o ano datado. E no entremeio mudam os aniversários de vida, os de conhecimento, os de casa nova, os de morte até.
A cada final dizem que o ano foi mais corrido, adiantado. Impressão, impressão.
Este ano, ao soar a primeira badalada saibam: — ele chegará atrasado de um segundo... Coisa de astrônomos. Ou quem sabe a terra tenha se perdido no meio do caminho, quem sabe?
E assim desejo que no novo ano vocês invertam.
Tudo e a todos.
Troquem velhas idéias conhecidas por outras desconhecidas, anônimas, casuais e alheias.
Invertam as palavras, os sentidos, as sensações.
Desfaçam feitos, refaçam desfeitos.
Criem conceitos - o abstrato como concreto, a posse como perda e o real como etéreo.
Jamais pergunte, jamais explique, vá vivendo, siga sentindo.
Saudade é só de quem partiu. Dos outros leve nostalgia, enfrentamento e incompletude.
Maturidade, descarte. Responsabilidade, passe ao largo. Certezas? Mude, mude. Não, jamais apregoaria irresponsabilidades. É que a vida pede tanto que temos em demasia todos estes conceitos. Troque os antigos pelos recém-chegados, conceitos de nada como determinantes de tudo.
Leve a vida como conhecida de outrora, tal qual coisa lontana, como um quase que.
E no mais desejo a vocês as letras e os carinhos que tenho.
Insubmissa decido: não desejo nada a ninguém!?!
Construam seus votos e venham me contando até o último ano do dia do ano que vem.
Maria Odila