quarta-feira, março 15, 2006

Aos primeiros... encontros.

As unhas lixadas, não esmaltadas.
O corpo, bem, é o mesmo, e ainda o de ontem. Na última hora não adianta correr, subir escadas, relegar os doces para o fundo da geladeira. Na última hora serei, como de costume, a de sempre.
Rosto praticamente sem rugas. A idade chega, os talhos não. Apropriadamente não são talhos, mas estes cortes horizonto-verticais marcam e como marcam. Graças não os ter. Vontade de agradecer o dom dos risos sonoros.
E a ansiedade, essa companheira de vida, bem que poderia relevar os doces engolidos às pressas enquanto o telefone não tocava, enquanto os dias não mudavam o calendário.
Alguns meses, sim, alguns, e o meu mais melhor de mim, não aproveitado.
Os primeiros encontros esperam, provocam, agonizam. Porque são primeiros, porque são novos e porque... porque... oras nem sei mais quais porquês me assustam.
Se penso, vai dar errado? Se mudará, se a idéia vai ficar, se vai desistir, se vai chegar na hora, não, nunca saberei antes, e depois, bem depois não será mais o primeiro.

Maria Odila Goulart

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